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Di: RFI Brasil
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Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.France Médias Monde Politica e governo
  • Governo britânico e Buckingham estudam retirar ex-príncipe da linha de sucessão ao trono
    Feb 23 2026

    O governo britânico considera introduzir legislação para retirar o ex-príncipe Andrew da linha de sucessão ao trono. As investigações de má conduta e a prisão de Montbattam-Widsor na quinta-feira passada abalaram a reputação da monarquia.

    Yula Rocha, correspondente da RFI em Londres

    Apesar das mínimas chances de se tornar um rei, Andrew Montbattam-Widsor ainda é o oitavo na linha de sucessão ao trono, mesmo sem o título de príncipe e sem todas as outras condecorações recebidas e revogadas. Mas depois de novas implicações no caso do amigo pedófilo Jeffrey Epstein, o governo está em conversa com o Palácio de Buckingham para eliminar qualquer possibilidade legal de ele um dia assumir o papel de Chefe de Estado e da Igreja Anglicana. 2013 foi a última vez que se introduziu uma lei para alterar as regras da linha de sucessão como a do primogênito, permitindo às filhas e netas entrarem na linha ao trono, mesmo com nascimento de um irmão e reconhecendo o direito retroativo de membros da família real se casarem com parceiros católicos.

    É interesse da monarquia se blindar ao máximo desse escândalo e tentar salvar a reputação do rei Charles III e seus sucessores, por isso, a divulgação rápida de nota oficial enquanto o irmão ainda estava detido, declarando em primeira pessoa apoio total às investigações. Depois de passar 11 horas preso numa delegacia na quinta-feira passada, Andrew continua sob investigação. A polícia vasculhou a mansão onde ele morava em Windsor durante todo o fim de semana, em busca de provas de má conduta enquanto era representante de comércio internacional do país, um cargo público de confiança.

    Desdobramentos possíveis da investigação em curso

    A situação do ex-príncipe é extremamente complicada. A polícia do Vale do Tamisa, onde ele mora atualmente e foi preso, investiga informações obtidas naquela pilha de documentos liberados pelo Departamento de Justiça americano. E-mails indicam que ele teria passado informações confidenciais para Jeffrey Epstein e outros amigos banqueiros sobre oportunidades de investimentos em minerais na Ásia, quando trabalhava como enviado especial de relações externas do governo. Se ele for indiciado, julgado e condenado, pode pegar prisão perpétua, mas muitos especialistas já adiantaram que isso dificilmente vai acontecer.

    O ex-primeiro-ministro Gordon Brown divulgou uma carta solicitando que outros departamentos de polícia da Inglaterra abram investigações contra Mountbatten-Windsor e alguns parlamentares querem que o ex-príncipe seja investigado por crime de traição à nação. Os guarda-costas de Andrew também podem ser interrogados, assim como oficiais da polícia metropolitana que ofereceram proteção a ele até em visita à casa de Epstein em Nova York, quando ainda era príncipe.

    Já a acusação de abuso sexual contra Virginia Giuffre, vítima de tráfico de menores na época no esquema de Epstein, continua impune e Andrew segue negando qualquer envolvimento apesar de fotos publicadas recentemente contarem uma outra história. Assim como nos Estados Unidos, onde nenhum amigo de Epstein, o que inclui o presidente Donald Trump, até hoje foi incriminado.

    Pior crise de reputação da realeza britânica em três séculos

    A crise é vista como a mais devastadora para a monarquia em mais de 300 anos de história, considerada pior até do que o silêncio da rainha Elizabeth após a morte da princesa Diana. Segundo analistas, a conduta do irmão caçula do rei implica na reputação da monarquia como instituição. A imprensa daqui não tem poupado manchetes como “catástrofe”, “tempos extraordinários” e até insinuado o fim da monarquia.

    A última pesquisa de opinião, de outubro do ano passado, mostrou que 62% dos britânicos ainda apoiam a monarquia.

    O escândalo é um desafio para o primeiro na linha de sucessão ao trono, o príncipe William. Ele tem dito que quer modernizar, não revolucionar, a monarquia e sabe que o público cobra mais responsabilidade e transparência financeira. O tio, amigo de um pedófilo e suspeito de má conduta no exercício de cargo público, não é exatamente a imagem que família alguma - poderosa ou não - quer se associar.

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  • Jogos de Inverno impulsionam turismo em Milão no ano da melhor campanha olímpica do Brasil
    Feb 20 2026
    Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina se encerram neste domingo (22), enquanto já cresce a expectativa para os Jogos Paralímpicos, que começam em 6 de março. O Brasil faz uma campanha histórica, conquistando a primeira medalha da América do Sul e figurando no top 20 do quadro parcial de medalhas. Júlia Valente, correspondente da RFI em Milão Segundo um balanço preliminar da prefeitura de Milão, apenas a cidade recebeu entre 400 e 500 mil turistas a mais do que o normal durante o período olímpico. A região da Lombardia informou que, entre os espectadores estrangeiros em Milão, a maior parte veio dos Estados Unidos (24,4%). Em seguida aparecem Holanda (10,3%) e Alemanha (11,4%). O esporte com mais ingressos vendidos em Milão foi o speed skating (95%). Já em Bórmio, uma das seis cidades que receberam os esportes de montanha, o skimo teve ingressos esgotados. No quadro de medalhas, que ainda não está fechado, a Noruega lidera com folga. São 34 medalhas no total: 16 de ouro, oito de prata e dez de bronze. Estados Unidos e Itália aparecem em segundo e terceiro lugar, respectivamente, em uma disputa acirrada. Ainda há competições importantes até domingo, como freestyle ski, speed skating e a final masculina do hóquei no gelo. Por isso, o resultado final ainda pode mudar. A cerimônia de encerramento, no domingo (22) acontecerá em Verona - uma escolha que representa a proposta destes Jogos de distribuir as competições entre diferentes cidades.O evento será realizado na icônica Arena de Verona, do século I, um dos anfiteatros romanos mais bem preservados do mundo e ainda em uso. Hoje, o local recebe óperas e grandes shows musicais. Os ingressos para o encerramento custam entre 950 e 2.500 euros. Já os pacotes VIP chegam a 8 mil euros. O tema da cerimônia será “Beleza em Ação”. Entre os protagonistas estão o cantor italiano Achille Lauro e o bailarino Roberto Bolle, considerado um dos maiores nomes do balé clássico mundial. Brasil encerra Jogos com resultado histórico A medalha de ouro do esquiador Lucas Pinheiro Braathen, no slalom gigante, não foi apenas a primeira medalha brasileira, mas também a primeira da América do Sul em Olimpíadas de Inverno.Para o Comitê Olímpico do Brasil, os Jogos de Milão-Cortina representam um marco para a história dos esportes de inverno no país. Os brasileiros disputaram 18 provas, uma quantidade recorde. Pela primeira vez, quatro atletas terminaram no top 20 – resultado que ainda pode ser melhorado. A equipe de bobsled compete novamente no fim de semana. Em coletiva em Milão, nesta quinta-feira (19), o presidente do COB, Marco La Porta, disse que o comitê já vem sendo procurado por brasileiros interessados em se dedicar aos esportes de inverno. “A gente fica muito feliz não só pela medalha, mas pelo significado que ela traz, o quanto pode servir de inspiração. O grande desafio que as duas confederações têm [da neve e do gelo] com o COB é como agora administrar esse sucesso”, afirmou. O atleta de snowboard Pat Burgener, que terminou em 14º lugar no halfpipe, destacou à RFI que o apoio do povo brasileiro foi fundamental nesse processo: “Me ajudou a ficar positivo e acreditar que essas Olimpíadas são muito mais que o resultado. Eu não tive o resultado que eu queria, mas a jornada foi incrível. Com o resultado de todos os atletas, mostramos que, sim, somos um país que pode fazer muitas coisas”. O aumento da visibilidade dos esportes de inverno no Brasil já é significativo. O Instagram do Time Brasil registrou o maior número de visualizações entre todas as equipes participantes destes Jogos, à frente dos Estados Unidos e do Reino Unido. Focar nas redes sociais foi uma estratégia do COB que trouxe resultados, como ressaltou a Diretora de Marketing Manoela Penna à RFI. “A gente teve 325 milhões de visualizações esse ano, [que] é quase o que a gente teve o ano passado inteiro. Então, realmente foi um impacto muito forte nas redes para a gente passar nossa mensagem, nossa marca, e o valor dos nossos atletas também. A gente tenta levar os diversos tipos de estímulos para um público diverso, não só para quem já é fã de esporte”, afirmou. Essa participação histórica do Brasil também será eternizada no Museu do Comitê Olímpico Internacional, em Lausanne, na Suíça. O COB doou o traje usado por Lucas Pinheiro Braathen na cerimônia de abertura: uma jaqueta da marca Moncler, com a bandeira brasileira na parte interna. Expectativa para os Jogos Paralímpicos de Inverno Encerrando os Jogos Olímpicos, agora a atenção se volta para os Jogos Paralímpicos de Inverno, que acontecem entre 6 e 15 de março. Ao todo, serão cerca de 665 atletas participantes, disputando 79 medalhas, em modalidades como para hóquei no gelo, curling em cadeira de rodas, para esqui alpino e para snowboard. Esta edição é especial, pois marca os 50 anos dos Jogos Paralímpicos de ...
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    6 min
  • EUA realizam primeira reunião do Conselho da Paz para Gaza, em meio a tensão sobre ação militar no Irã
    Feb 19 2026
    Os Estados Unidos sediam pela primeira vez um encontro entre os países-membros do chamado Conselho da Paz criado pelo presidente Donald Trump para colocar em prática o plano de cessar-fogo na Faixa de Gaza. Mas há mais movimentações no Oriente Médio, e, apesar de mensagens otimistas de iranianos presentes nas negociações com os norte-americanos em Genebra, na Suíça, uma ação militar no país é uma possibilidade real. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel Segundo Donald Trump, os países que fazem parte do Conselho da Paz prometeram doar mais de US$ 5 bilhões para os esforços humanitários e à reconstrução da Faixa de Gaza. Este deve ser o foco do encontro que vai reunir os países-membros pela primeira vez em Washington. A entidade foi criada pelo presidente norte-americano para colocar em prática os 20 pontos que compõem o plano de cessar-fogo entre Israel e Hamas anunciado em outubro do ano passado. Mas além dessas questões, há outros itens importantes no projeto que ainda não saíram do papel, como a Força Internacional de Estabilização (ISF, em inglês), o exército estrangeiro – que, se implementado, substituirá a presença do Exército de Israel –, e o desarmamento do Hamas. Até agora, o governo da Indonésia, o maior país muçulmano do mundo, foi o único que se posicionou de forma mais ativa ao informar que poderá enviar até 8 mil soldados para a Faixa de Gaza. Os primeiros mil militares estarão prontos para assumir posições em Gaza em abril. Os demais poderão ser enviados até junho, segundo um porta-voz do exército da Indonésia informou à agência Reuters. De acordo com uma fonte citada de forma anônima pela TV pública de Israel, nas próximas semanas edifícios e construções estarão prontos para receber esses soldados. A Itália é outro país que poderá participar com forças no terreno na Faixa de Gaza. Durante coletiva de imprensa em Roma, o ministro das Relações Exteriores Antonio Tajani disse que os italianos estão dispostos a ajudar no treinamento de policiais palestinos. Desarmamento do Hamas Esse é um dos pontos mais complexos e imprevisíveis do plano de Donald Trump. Até agora, as lideranças do grupo radical palestino têm repetido publicamente que não vão aceitar o desarmamento. Em discurso no Fórum da rede Al-Jazeera, do Catar, o líder sênior do Hamas, Khaled Mashal, apresentou uma visão alternativa: no lugar de abandonar as armas de forma completa, como determina o plano de Trump, ele propôs uma trégua com duração entre cinco e 15 anos. Segundo Mashal, durante este período as armas ficariam guardadas. A medida seria implementada com apoio internacional e a partir de garantias do Catar, Egito e Turquia. Autoridades israelenses condenaram as declarações e disseram que elas são as provas de que o Hamas planeja uma nova guerra. Para além de abrir mão das armas, segundo o plano de Donald Trump, o grupo radical também deverá entregar o controle de Gaza a um governo formado por tecnocratas palestinos. Permanecem as tensões entre Irã e Estados Unidos As tensões no Irã são outro foco de preocupações. Ao término da rodada de negociações em Genebra, na Suíça, os representantes iranianos disseram que em duas semanas vão apresentar uma proposta detalhada para uma solução negociada com os Estados Unidos. Mas não está claro se o presidente Donald Trump vai aceitar este prazo. "O chefe está ficando sem paciência. Algumas pessoas próximas a ele alertam contra uma guerra com o Irã, mas acho que há 90% de chance de vermos uma ação militar nas próximas semanas", disse uma pessoa próxima a Trump ao portal Axios. A RFI conversou com Danny Citrinowicz, pesquisador do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel (INSS, em inglês), um dos principais especialistas em questões iranianas. Segundo ele, as próximas duas semanas são críticas porque a decisão de Trump também vai depender da forma como os enviados Jared Kushner e Steve Witkoff, representantes norte-americanos nas negociações, vão apresentar os resultados das conversas com os iranianos. “Basicamente, é Trump quem precisa decidir se ele vai dar este prazo [de duas semanas ao Irã] ou não. Eu tenho cautela em relação ao otimismo apresentado pelos iranianos. Estamos numa encruzilhada muito dramática. As próximas semanas serão ainda mais significativas, mas no final das contas tudo depende das decisões da Casa Branca”, diz. Sob o ponto de vista militar, a avaliação em Israel é que, em cerca de uma semana, a presença das forças dos EUA no Oriente Médio estará completa. As fontes israelenses informam que se preparam para cenários extremos porque não acreditam no sucesso das negociações entre Estados Unidos e Irã. A RFI também conversou com um dos diretores do Hospital Sheba, o maior de Israel, que confirmou que há mais de um mês tudo está pronto para uma eventual ...
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