Governo britânico e Buckingham estudam retirar ex-príncipe da linha de sucessão ao trono
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O governo britânico considera introduzir legislação para retirar o ex-príncipe Andrew da linha de sucessão ao trono. As investigações de má conduta e a prisão de Montbattam-Widsor na quinta-feira passada abalaram a reputação da monarquia.
Yula Rocha, correspondente da RFI em Londres
Apesar das mínimas chances de se tornar um rei, Andrew Montbattam-Widsor ainda é o oitavo na linha de sucessão ao trono, mesmo sem o título de príncipe e sem todas as outras condecorações recebidas e revogadas. Mas depois de novas implicações no caso do amigo pedófilo Jeffrey Epstein, o governo está em conversa com o Palácio de Buckingham para eliminar qualquer possibilidade legal de ele um dia assumir o papel de Chefe de Estado e da Igreja Anglicana. 2013 foi a última vez que se introduziu uma lei para alterar as regras da linha de sucessão como a do primogênito, permitindo às filhas e netas entrarem na linha ao trono, mesmo com nascimento de um irmão e reconhecendo o direito retroativo de membros da família real se casarem com parceiros católicos.
É interesse da monarquia se blindar ao máximo desse escândalo e tentar salvar a reputação do rei Charles III e seus sucessores, por isso, a divulgação rápida de nota oficial enquanto o irmão ainda estava detido, declarando em primeira pessoa apoio total às investigações. Depois de passar 11 horas preso numa delegacia na quinta-feira passada, Andrew continua sob investigação. A polícia vasculhou a mansão onde ele morava em Windsor durante todo o fim de semana, em busca de provas de má conduta enquanto era representante de comércio internacional do país, um cargo público de confiança.
Desdobramentos possíveis da investigação em cursoA situação do ex-príncipe é extremamente complicada. A polícia do Vale do Tamisa, onde ele mora atualmente e foi preso, investiga informações obtidas naquela pilha de documentos liberados pelo Departamento de Justiça americano. E-mails indicam que ele teria passado informações confidenciais para Jeffrey Epstein e outros amigos banqueiros sobre oportunidades de investimentos em minerais na Ásia, quando trabalhava como enviado especial de relações externas do governo. Se ele for indiciado, julgado e condenado, pode pegar prisão perpétua, mas muitos especialistas já adiantaram que isso dificilmente vai acontecer.
O ex-primeiro-ministro Gordon Brown divulgou uma carta solicitando que outros departamentos de polícia da Inglaterra abram investigações contra Mountbatten-Windsor e alguns parlamentares querem que o ex-príncipe seja investigado por crime de traição à nação. Os guarda-costas de Andrew também podem ser interrogados, assim como oficiais da polícia metropolitana que ofereceram proteção a ele até em visita à casa de Epstein em Nova York, quando ainda era príncipe.
Já a acusação de abuso sexual contra Virginia Giuffre, vítima de tráfico de menores na época no esquema de Epstein, continua impune e Andrew segue negando qualquer envolvimento apesar de fotos publicadas recentemente contarem uma outra história. Assim como nos Estados Unidos, onde nenhum amigo de Epstein, o que inclui o presidente Donald Trump, até hoje foi incriminado.
Pior crise de reputação da realeza britânica em três séculosA crise é vista como a mais devastadora para a monarquia em mais de 300 anos de história, considerada pior até do que o silêncio da rainha Elizabeth após a morte da princesa Diana. Segundo analistas, a conduta do irmão caçula do rei implica na reputação da monarquia como instituição. A imprensa daqui não tem poupado manchetes como “catástrofe”, “tempos extraordinários” e até insinuado o fim da monarquia.
A última pesquisa de opinião, de outubro do ano passado, mostrou que 62% dos britânicos ainda apoiam a monarquia.
O escândalo é um desafio para o primeiro na linha de sucessão ao trono, o príncipe William. Ele tem dito que quer modernizar, não revolucionar, a monarquia e sabe que o público cobra mais responsabilidade e transparência financeira. O tio, amigo de um pedófilo e suspeito de má conduta no exercício de cargo público, não é exatamente a imagem que família alguma - poderosa ou não - quer se associar.