Episodi

  • #35 - Do 2° grau ao divórcio
    Sep 5 2025

    Nossa história começou em 1989, quando fizemos o antigo segundo grau juntos - éramos amigos, muito amigos, daquele tipo que um guardava o lugar para o outro na sala.

    Naquele tempo, era feio a menina mostrar interesse pelo rapaz, ou melhor, se declarar apaixonada. Então eu fiquei esperando a iniciativa dele!

    Acabamos o colégio e nada aconteceu - achei que, por eu ser muito levada, gostava de fazer bagunça, isso o afastava de mim.. Ah! Lembrando que eu tinha um namorado e ele uma namorada (eu não gostava desse namorado).

    E fomos viver nossas vidas. Nos anos 90 não tinha Internet como hoje, nem celular, facebook e insta nem se fala. Sem nenhuma rede social!

    Quando o Orkut surgiu, nos encontramos aleatoriamente. Ele estava casado e eu namorando; ele gordo e barrigudo e eu muito linda!! kkkkkkk

    Tinha meus 36 anos. Demos um oi e só.

    Aos 42 encontrei um amigo que estudou com a gente e ele teve a ideia de juntar a turma, fazer um encontro. Cada um tinha uma pessoa da turma como amigo e fomos nos juntando num grupo no WhatsApp.

    Formamos 12 pessoas, organizamos um jantar de reencontro e foi tudo muito legal. Lembramos da nossa época de estudantes, nossos professores, histórias engraçadas - até as 2 horas da madrugada.

    Mas antes do dia do jantar é que tudo mudou pra mim. Ele me chamou no privado e disse: “sabia que eu era apaixonado por você na escola?” Rapidamente respondi: “eu também”.

    E começou um grande desenrolar de paixão. Minha vida mudou por completo - antes, eu estava solteira, morava com meu filho, dedicava muito tempo ao trabalho. Meus dias nunca mais foram os mesmos, ficávamos até uma, duas horas da manhã conversando.

    Foi um grande aquecimento para o dia do jantar. Quando esse dia chegou, nosso encontro foi avassalador - uma paixão, um amor, um grude, uma sensação de muita alegria, tudo brilhava - pra mim e pra ele.

    Nosso ritmo continuou acelerado e em 4 meses estávamos morando juntos na minha casa.

    Ele me levava até o metrô e me buscava todos os dias. Me protegia, cuidava de mim como nunca fui cuidada por um homem.

    Tomou tudo pra ele, não só meu coração mas também tudo que eu tinha em casa para pagar - eu já não pagava nada, só o que era do meu filho.

    Ele muito bem empregado, me ofereceu muitas coisas boas, viagens, conforto - não que eu não tivesse, mas eu não podia fazer tantas coisas ao mesmo tempo sem um planejamento. Eu tinha, enfim, a vida que eu queria ter - tudo do bom e do melhor sem pagar nada, meu dinheiro era só meu e para o meu filho.

    Tudo ia muito bem até que aconteceu algo que eu não esperava - ele não queria casar. Foi um balde de água fria. Isso me deixou triste e me abalou bastante - por muita força ele casou, mas não foi só por minha causa. Ele decidiu pedir transferência para o interior de São Paulo e eu disse que só iria casada. Nos casamos em 2017!

    Chegamos dia 4 de fevereiro de 2019 no interior. Esse também foi o ano em que o meu casamento começou a ruir - foi quando ele começou um relacionamento extraconjugal.

    Tudo caiu pra mim, eu não acreditava no que estava acontecendo - ele chegava em casa todo arranhado, com marcas pelo corpo e DIZIA QUE ERA O PINGENTE DO CORDÃO QUE ARRANHAVA.

    Um dia que não estava nem muito frio ele colocou uma meia. Achei estranho porque ele tem 140 kg. Pra ele sentir frio tem que estar muito frio. Bem, passou um tempo e ele achou que eu ia esquecer - olhei o pé dele e tinha uma marca roxa enorme.

    Eu perguntei o que era e ele me respondeu: “Ué, marca de nascença”.

    É pra matar qualquer uma.

    Eu respondi: “Eu conheci você com 14 anos, fazia natação com você e nunca vi essa marca. Durmo com você há anos e nunca vi essa marca”


    ...[por conta do limite de 4000 caracteres o restante da história está apenas no áudio]

    Lembrando que o Podcast Sozinha de si é um projeto de acolhimento através de histórias anônimas, para cuidar de todas de uma vez! Manda a sua história pra mim: ⁠⁠ghostwriter@maabbondanza.com⁠⁠





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  • #34 - Coragem para correr
    Jun 13 2025

    Quando a postagem sobre o podcast Sozinha de Si chegou ao meu Instagram, pensei: quero escrever. Escrever sempre foi minha forma de cura e de liberdade.

    Por muitos e muitos anos vivi um relacionamento abusivo, controlador e narcisista.

    Eu tinha 15 anos quando o conheci. Começamos a namorar em 23.10.1992. Desde o início ele demonstrou ciúmes louco. Doentio. Fazia eu trocar de roupas. E perdi todas as minhas amizades. Principalmente as masculinas.

    Com 17 anos estava grávida. Primeira relação. Primeiro contato. Primeiro tudo. Descobertas.

    Ele gritava comigo.

    Bebia.

    Me fazia repetir a história diversas vezes.

    Me falava que eu fazia isso.

    Que fazia ele fazer isso

    Se eu estava apaixonada? Hoje sei que não. Adolescente e autoestima baixa. Necessidade de viver tudo com intensidade e sem orientação. Sem educação sexual. Entregue de corpo e alma a um relacionamento doentio, com uma pessoa doentia (ele tomava medicação controlada desde os 11 anos, se sentia “o rejeitado” e nunca obteve um diagnóstico correto de sua doença).

    Tínhamos a mesma idade, mas ele falava que eu era mais experiente, que eu o manipulei e que fiquei grávida para o segurar. Eu? A última coisa que queria era ser mãe e a penúltima era casar. Falava também que eu não estava grávida dele. Que o usei.

    São tantas as histórias e momentos de dor que me lembro, que poderia escrever vários livros.

    Vou escrever uma delas. O dia que corri, corri muito, muito. Para bem longe dele, mas ainda não foi o suficiente para eu ser livre.

    Era fevereiro de 1994. Calor. Carnaval. Minha cidade do interior lotada como sempre. Tínhamos o carnaval mais intenso e melhor da região.

    Eu estava com 4 meses de gravidez. Minha barriga já aparecia. Estava com um vestido de flores coloridas grandes e fundo vermelho. Rabo de cavalo. Eu amava esse vestido. Ficava bonita nele. Meu pai falava que ficava linda grávida com ele.

    A rua cheia, o som do batuque e músicas de carnaval.

    Eu, angustiada porque não queria estar ali, minha barriga grande, medo que acontecesse alguma coisa, porque ele era totalmente imprevisível.

    Medo dos gritos dele me culpando porque teria olhado para alguém ou qualquer coisa parecida.

    Ele bebia, e isso me deixava mais vulnerável às agressões dele.

    O som do carnaval, os gritos dele, as pessoas olhando, ele segurando no meu braço, minha barriga grande, meu vestido vermelho de flores. Neste momento me virei e corri. Corri. Ele me alcançou, me puxou pelo meu rabo de cavalo. Lembro do tranco para trás; mas mesmo assim não parei, peguei mais fôlego e corri mais, mais...

    Morava em um local que precisava subir um aclive, era o "morro do colégio Lameira". Corri muito naquele morro. Corri. Eu não olhei para trás, mas sei que ele estava lá. Correndo atrás de mim. Eu não olhei para trás.

    Até chegar à porta da minha casa. Entrei suada, chorando, correndo e descabelada. Mas hoje, e agora escrevendo, entendo porque me senti feliz e livre. Porque eu corri. Eu tive coragem.

    Olhei pela janela e ele ficou a noite toda, até o amanhecer, sentado lá embaixo na subida do morro esperando eu sair. Eu não sai. Eu corri dele. Eu tive coragem

    Se pudesse voltar naquele dia e momento, eu diria para aquela menina de 17 anos, grávida de 4 meses que ela não precisava ter medo dele. Que ela tinha escolhas, sim, que ela não era ele. Que ela poderia viver tudo que ainda queria viver, que ela sim, poderia ser uma escritora, que ela, sim, poderia fazer a faculdade de jornalismo, que ela, sim, era forte. Que seria feliz.


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  • #33 - Para que o novo me faça feliz
    May 23 2025

    Gosto muito do conteúdo da página, poderia virar um livro.

    Sou uma mulher autista e aos 34 anos queria muito ser mãe, mas ninguém se interessava por mim, não conseguia um casamento. Um colega de trabalho me pediu em casamento repentinamente, havia boatos que ele gostava de mim, eu não tinha certeza. Aceitei o pedido e em menos de seis meses estava casada e grávida do meu filho José Renato, hoje com 13 anos.

    No início do casamento achei estranho que de cara ele não deixava eu sair sozinha, dizia que casamos para vivermos juntos, sairmos juntos, estarmos juntos. Não era um homem carinhoso, nem atencioso, mas gostava muito de sexo, mas de forma muito fria. Eu não me importava, não tinha tido outros parceiros e não sabia que aquilo não era normal para quem dizia amar tanto.

    Nascido o meu filho, fui trabalhar certa vez e deixei o bebê com ele muito doente, quando cheguei meu filho chorava muito e ele estava trocando mensagens por sms que era o que tinha na época com uma colega do trabalho dele, mensagens que pareciam estar me traindo com ela, mas na hora pensei no meu filho, discuti um pouco com ele e deixei o assunto pra lá.

    Tive o segundo filho dois anos depois, Samuel com 11 anos agora, Samuel bebê ainda peguei mensagens novamente dele com uma moça do trabalho, essas já declarando um caso explicitamente, passado dois dias ele foi internado com grave problema no nervo ciático e ficou quase um ano sem andar, o caso foi esquecido.

    Depois que ele melhorou começaram as ofensas, ele dizia que eu era feia, mal arrumada, sem graça, que se não fosse ele ninguém iria se casar comigo, se ele me largasse ninguém mais iria me querer, que me achou largada na rua. Depois começou a fazer passeios só com os filhos e eu ficava sempre em casa, moramos na praia, ele nunca me levava, era assunto de homem ele dizia, assim minava minhas forças e autoestima.

    Começaram as dívidas, ele fez três cartões de crédito com valores altos e estourava todos todos os meses e não conseguiamos pagar, me pedia para fazer empréstimos no meu nome para ajudar, assim me endividou muito.

    Ao me ver totalmente derrotada como pessoa, toda endividada, confessou que tinha outra mulher, na hora pedi a separação e não quis mais, senti que era a hora da minha libertação. Ele se recusou a sair de casa, disse que ali estava a sua esposa e filhos e jamais sairia, eu me recusei a ter intimidades com ele, deixei claro que não continuaria aquele casamento.

    Ele passou a ser agressivo, sabia meus gatilhos e como provocar crises características do autismo, me dopava e eu ficava no quarto, deitada por dias, sem alimentação e meus filhos presenciando tudo. Dizia para ele que isso não adiantaria que eu não iria ceder, ele começou a bater nos meus filhos, racionar comida, dar comida azeda e repetir o cardápio o mês todo.

    Eu não cedi, um conselheiro tutelar para quem pedi ajuda me aconselhou a denunciar, caso contrário seria cúmplice dos maus tratos às crianças e poderia perder a guarda, assim fiz, no mesmo dia consegui medida protetiva e a polícia tirou ele de dentro de casa.

    Depois disso ele continuou me ameaçando e perseguindo, obtive mais duas medidas protetivas, por fim após 5 meses de separação ele pediu vistas dos filhos, passado 3 meses, ele agrediu fisicamente e de forma grave o filho menor. Registrei BO e fiz a representação criminal.

    Após 2 anos de separação ainda luto com dificuldades na justiça para o fim de todo o processo de divórcio e questões relacionadas aos filhos, um processo desgastante, estressante e posso até dizer violento que irá deixar sequelas dolorosas em mim e nos meus filhos.

    ...[por conta do limite de 4000 caracteres o restante da história está apenas no áudio]

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  • #32 - Noite de terror
    Apr 28 2025

    Durante a infância, o alcoolismo do meu pai aterrorizava meus dias, juntamente com a escassez de comida. Quando eu tinha treze anos, a minha mãe separou do meu pai.

    Casou logo em seguida. O que faz uma mulher casar logo em seguida a um casamento extremamente violento? Não sei.

    Eu não tive tempo de respirar fundo, iniciou outro tormento, os abusos do meu padrasto. Logo no início ele demonstrou que gostava de abusar de garotas. Quando minhas amigas iam pra minha casa ele ficava passando a mão nas nádegas delas. E por várias vezes, eu acordava com ele alisando as minhas pernas.

    Eu falava pra minha mãe, mas ela não acreditava em mim.

    Aos 14 anos conheci o homem que idealizei, que dizia não gostar de bebidas alcoólicas e que me amava. Casei com ele muito jovem, aos 17 anos. Eu esperava encontrar no meu marido o companheirismo, a cumplicidade e a proteção que tanto precisava. Sim, eu esperava me sentir segura, já que o meu pai e a minha mãe não me ofereceram essa segurança.

    Não quero me aprofundar sobre os 17 anos de casada, quando convivi com o que eu mais temia: o alcoolismo do meu marido, os estupros maritais, o desprezo, as humilhações. Nunca fiz terapia, mas hoje eu posso dizer que perdoei o meu pai, o meu padrasto, a minha mãe e o meu ex marido.

    Mas falta eu me perdoar por ter viajado no carnaval de 1997. A minha cunhada, irmã do meu ex marido, me convidou para ir para uma cidade do interior pra passar o carnaval, já que eu iria ficar sozinha em casa com o meu filho, que na época tinha 1 ano e meio. O meu marido ia curtir o carnaval em outra cidade.

    Eu adorava uma blusa preta que tinha a frase Noite do terror. Viajei com ela. Foi essa blusa que um sujeito usou para cobrir o rosto enquanto destruía o brilho da minha vida. Por volta das 20hs, a minha cunhada foi curtir o carnaval com o marido e os amigos. Eu fiquei na residência, assistindo tv na sala.

    Eu e meu filho caímos no sono ali mesmo, meu filho dormindo por cima de mim. Eu acordei com uma pessoa passando a mão nas minhas partes íntimas. Apontando uma arma pra mim, falando pra levantar devagar pra não acordar meu filho, ameaçando atirar no menino caso isso acontecesse.

    Durante todo aquele terror, eu só conseguia pensar na hipótese do meu filhinho acordar.

    Não sei exatamente quanto durou o ato, que pra mim foi uma eternidade. Ao escutar o trinco da porta abrindo juntamente com as vozes do pessoal chegando, de imediato, tentei gritar alto, mas o meu choro abafou. O pessoal correu atrás do criminoso, mas não conseguiram pegá-lo.

    A noite de terror não parou ali, tinha a segunda parte. Fui conduzida a uma delegacia caindo aos pedaços. Dois policiais homens me interrogaram. As perguntas foram sádicas, cheias de acusações e insinuações. Me acusaram de conhecer o abusador, de ser amante dele. Eu fui vítima de violência sexual, me sentia desolada, dilacerada e saí da delegacia pior, me sentindo culpada, suja e um lixo. Fui julgada, humilhada. Nunca pensei encontrar tanta maldade numa cidade tão pequena. Eu fico pensando se eu tivesse ficado em casa, talvez não tivesse acontecido nada, ou talvez sim. Eu nunca saberei a resposta.

    Nunca mais voltei àquela cidade, mas até hoje lembro do cheiro podre que ela exalava, lembro dos olhares maldosos e das pessoas antipáticas. Naquele momento, eu precisava de apoio. Nenhuma mão segurou a minha, nem a do meu marido, que provavelmente também concordava com os policiais, de que o abusador era meu amante. Até hoje, tento perdoar aquela garota de 19 anos que inocentemente foi passar o pior carnaval da vida dela e da minha.


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    #sozinhadesi #historiassilenciadas #historiasanonimas #traumas #rededeapoio #podcastsozinhadesi

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  • #31 - Orgulhosa de mim
    Apr 11 2025

    Nunca quis ter filhos, mas a minha visão aos 30 anos mudou, decidi que seria mãe.

    Nesse meio tempo conheci uma pessoa que me prometeu acima de tudo amizade. Sempre tive problemas com minha mãe e ele apareceu como porto seguro.

    Foi praticamente o meu primeiro homem, antes dele tive apenas 4 relações sexuais. Os sinais de que viveria uma relação abusiva foram se mostrando logo de cara: a nossa primeira vez foi sem o meu consentimento, pois estava com medo. Depois do prazer dele, ele me abraçou e disse que me amava. Fiquei tão confusa que comecei a acreditar que era amor. Vim me dar conta que foi abuso aos 35 anos, quando estava numa sessão de terapia.

    Sempre fui independente, tenho meu apartamento e ele ia pra minha casa todo final de semana. Brincávamos de casinha, onde eu era a Amelia, como na música.

    Ele era bem popular e ainda no primeiro ano de relacionamento via conversas dele com outras mulheres e me sentia mal. Começaram então as crises de ciúmes. Noivamos com todos os indícios de que não era bom pra mim. Aos poucos fui me anulando da minha família e das poucas amigas que tinha. Ele dizia que elas tinham inveja de mim, sabia me controlar, pois eu já estava nas mãos dele emocionalmente.

    O relacionamento durou 3 anos 8 meses, quando tive a certeza de que me traía. Tinha um caso há dois anos e um dia antes de eu descobrir, ele queria porque queria que fizéssemos um vídeo no Instagram do dia dos namorados.

    Eu planejava casar e ter um filho, ele sempre me enrolava e eu não enxergava.

    Nesse tempo, conseguiu mudar minhas roupas, calçados, gostos musicais, livros. Vivia falando mal do brega/sofrência que gostava de ouvir e dos meus livros de romance.

    Entrei na academia por influência dele, quando comecei a perder peso ele atribuía essa conquista minha a ele, dizendo: "olha pra tu, a mulher que você é hoje é por minha causa" e isso martelava na minha cabeça como um mantra que ficou sendo verdade.

    Ao descobrir a traição pelo whatsapp dele, confesso que contei pra 4 pessoas, pois já estava infeliz e sabia que seria minha forma de não voltar atrás, pois teria vergonha caso voltasse.

    Nesse tempo minha mãe já tinha falecido, e tive o apoio desses 4 anjos na minha vida que não me deixavam sozinha aos finais de semana e me ajudaram bastante.

    A dor foi grande. Não conseguia me olhar no espelho pois pensava "quem vai me querer aos 34 anos!? Já estou velha".

    Desde então faço terapia, e não imaginava que chegaria aos 36 anos da forma como estou. Pensava que estaria casada, com um filho, um cachorro e carro na garagem. Minha vida está totalmente diferente do que planejei, mas quando olho pro meu passado, vejo o quão forte me tornei e desejo o mesmo a todas aquelas que passam por qualquer tipo de abuso.

    O título que me dou hoje é: ORGULHOSA DE MIM.

    Mesmo depois de tudo que passei, vejo o quanto amadureci ficando mais observadora e mais analítica, consigo identificar mais fácil sinais que não condizem com o meu propósito de vida, verbalizo e estipulo limites, dizendo "não" sempre que necessário.

    O sonho de construir uma família tradicional ainda existe, e é o que mais dói, tenho esperança que um dia aconteça, e enquanto isso sigo em frente.

    Voltei a estudar, estou fazendo outra formação, voltei a correr, tenho meu apto e meu carro, precisei provar pra mim mesma que seria possível conquistar o mundo sem uma presença masculina, simplesmente porque eu sou forte, porque nós somos fortes.

    Não estou exatamente no lugar que eu desenhei na minha infância e adolescência, mas sou muito grata pela mulher que me tornei, quebrando padrões estéticos da sociedade e pelos bens que conquistei.

    ...[por conta do limite de 4000 caracteres o restante da história está apenas no áudio]

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  • Chamado para a 2a temporada!
    Jan 14 2025

    Olá a todas e a todos!

    Aqui quem fala é Mayra Abbondanza e Júlia Lopes. Nós, que fazemos o podcast Sozinha de Si com tantas outras mulheres, estamos passando para avisar que estamos num intervalo e voltaremos em março.

    Desde dezembro, quando foi veiculado o último episódio de 2024, estamos nos preparando para lançar a nossa segunda temporada.

    Enquanto não recomeçamos, continuamos com algumas atividades. Estamos preparando um texto para apresentar essas histórias em seus pontos em comum e diferenças, pensando em ampliar nosso campo de leitores. Continuamos nas redes sociais, produzindo material sobre escrita, e, muito importante, continuamos recebendo histórias de mulheres que estiverem sozinhas em suas dores.

    Essa mensagem vai, então, principalmente para essas mulheres que querem ou precisem de uma escuta atenta e solidária, sem julgamentos. Estamos aqui para que você consiga escoar as dores e ecoar seus desejos de liberdade e autonomia. Estamos aqui para fazer companhia e dizer que você não está sozinha.

    No ano passado, falamos com mais de 30 mulheres e em 2025 pretendemos trazer mais outras 30 histórias. Recebemos seus relatos por email, whatsapp e via redes sociais. Recebemos relatos das mais diferentes formas, alguns muito detalhados, outros mais gerais.

    Nosso trabalho é transformar esses relatos em texto para ser lido e então veiculado pelo Podcast. Nós não revelamos a identidade dessas mulheres, pensamos em sua intimidade e proteção - a não ser que seja um pedido expresso dela.

    É isso, a gente volta jajá, esperando contar com a sua escuta, também.

    #ghostwriter #historiasanonimas #rededeapoioentremulheres #podcastsozinhadesi #cura #escrita

    E-mail: ghostwriter@maabbondanza.com
    WhatsApp: 11 999669935 (Mayra) ou 21 979126874 (Júlia)

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  • #30 - Nome Francisca, sobrenome recomeço
    Oct 28 2024

    A minha história é muito comum e ao mesmo tempo muito particular. É uma história como dos grandes romances, mas também a mesma de meninas que viviam o trabalho doméstico como um fator de transformação na minha época. Continua sendo minha história, com o meu sotaque, derrotas e, claro, as minhas vitórias.

    Venho de uma família mística, étnica. Meus avós maternos foram minha referência de amor e cuidado. Vó Rosa, indígena da Tribo Tremembés de Acaraú, rezadeira, parteira, pessoa que entregou sua vida à caridade e amor ao próximo; e Vô Antônio Gabriel, filho de imigrantes italianos que vieram fugidos da Segunda Guerra Mundial, chegaram ao Ceará e foram para uma localidade batizada por Gênova, que hoje chama-se Bela Cruz.

    Minha mãe Maria da Conceição Pessoa é a filha mulher mais velha, de sete irmãos. Ela, muito rebelde, engravidou aos 15 anos e foi expulsa de casa por meu avô, que não aceitava ter uma filha mãe solteira. Nessa noite, quando se viu sozinha, foi dormir no cemitério do povoado, Aranaú, distrito de Acaraú, onde mora até hoje aos seus 71 anos.

    No dia seguinte, ela foi acolhida por Dona Rosa, a proprietária da pousada do povoado. Dona Rosa, era muito conhecida de todos como uma mulher corajosa, forte e decidida. Era também discriminada por ser considerada "cafetina," pois as mulheres sem amparo da família eram acolhidas por ela em seu comércio ou eram enviadas para Acaraú, Fortaleza, São Paulo. Minha mãe foi enviada para Acaraú onde foi abrigada por Dona Maria Bertold, essa sim, dona de um prostíbulo.

    Assim minha mãe teve seus filhos - sou a quarta filha de clientes. Meu pai, Eudes, tirou mamãe do prostíbulo e foi viver com ela em Aranaú. Ele, porém, tinha sua esposa, duas filhas, e depois de 12 meses voltou para casa, foi visitá-las. Encontrou a esposa grávida de outro homem, e a matou. Foi preso. Minha mãe teve que se esconder, pois os irmãos da esposa de meu pai queriam matar-los, Minha tia, irmã de meu pai, conseguiu tirar mamãe do local, às pressas. Meu genitor foi morto.

    Por favor, gostaria que meu nome fosse colocado junto com a história, pode ser? Francisca das Chagas Pessoa.

    Minha mãe foi viver em Fortaleza por uns anos, eu e meus irmãos ficamos com meus avós. Nesse tempo eu tinha cinco anos. Ela voltou depois de um tempo, mas eram mesmo meus avós quem cuidava da gente.

    Minha infância no interior foi muito especial, apesar de tudo. Fui uma criança livre sem violência. Estudava, ia para a roça com meus avós, tinha meus amigos, brincava muito, ia a praia. Adorava os festejos da igreja católica, tinha muita alegria, comida, circo, Parque de Diversões, a casa de farinha era muito bom!! Colher frutas, verduras, pescaria, lavar a roupa na lagoa. Isso mudou quando em 1986, tia foi me buscar pra ir morar com ela, em Fortaleza.

    Tia morava na Praia de Iracema. Tudo era muito diferente ao que estava acostumada, as crianças com quem fiz amizade eram diferentes e para elas meus trejeitos do sertão eram motivo de piadas e risos. Eu também ria junto por não entender que as brincadeiras eram sobre mim mesma, tamanha era minha inocência, tão matuta…

    Nunca tinha visto água saindo da torneira na pia, chuveiro, refrigerantes, biscoito recheado, picolé, sorvete, maçã, uva, frango assado na máquina. Imagina então um Boneco gigante na praia em desfile de carnaval? Sim, fiquei muito assustada quando vi a Banda de Iracema e o bloco Periquito da Madame passando na Avenida Beira Mar em desfile. Corria assustada para abraçar a tia aos prantos, haha... Enfim, aos poucos fui me acostumando com as novidades da capital cearense.

    ... [por conta do limite de 4000 caracteres o restante da história está apenas no áudio]

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  • #29 - Aprender a se despedir
    Oct 21 2024

    Aos 53 anos seriam muitas histórias, mas deixo essa para o momento.

    Em fevereiro deste 2024 conheci Carlo do mesmo modo como conheci tantos outros - por aplicativo de paquera. Mas algo naquela conversa era diferente.

    Logo depois dos primeiros contatos, pediu meu número de celular, disse que ia a um passeio de Fusca e na volta me chamaria. Duvidei porque ele poderia ser como muitos que deixam suas conversas pelo caminho. Mas num domingo, às 17h30, na volta do passeio, ele mal chegou e já me chamou - “Oi, estou aqui, quer conversar?”

    E longas conversas vieram.

    Bastaram três dias para que ele quisesse me conhecer pessoalmente. No encontro, fui surpreendida pela beleza desse homem. 56 anos, personal, com 3% de gordura no corpo, vaidoso, músculos à mostra, muitas tatuagens, roupa e acessórios singulares. Foi gentil desde o primeiro minuto.

    Me levou em um espaço diferente, um café que ficava num contêiner, todo decorado de forma diferente. Ali escolhemos um suco pra mim e um capuccino gelado pra ele. Foi uma tarde inteira de muita conversa descontraída. Apesar da imagem forte do início, ele era meigo e tímido; me fez uma flor de guardanapos, me entregou... Pagou a conta, pegou na minha mão e fomos embora de carro. E desde então não nos separamos mais.

    Os dias foram passando e o sentimento aumentando. Nossa rotina se ajustou tanto, era tão perfeita em tão pouco tempo, que eu não me continha de alegria. Ficávamos grudados de sábado à noite até segunda pela manhã. Muita comida boa, passeios, filmes e muito tempo juntos... Demonstração de amor, cuidado, sexo maravilhoso… Quarta e quinta tudo se repetia. Às sextas, era dia dele cuidar da sua filha de 14 anos, então não nos víamos.

    Dois meses se passaram como se fossem anos. Coisas que não se explicam, mas se sente com muita intensidade! Durante a Semana Santa, passamos o Sábado de Aleluia juntos, no Domingo de Páscoa trocamos chocolates... Depois do almoço, mais abraços, grudados um no outro.

    Segunda pela manhã, como de costume, ele me deixou em casa. Dentro do carro me abraçou, beijou, eu olhei para ele e de repente, de forma completamente inesperada, me veio no pensamento ACABOU. Era a coisa mais absurda que poderia pensar naquele momento perfeito.

    Nós nos despedimos, combinamos de nos falar depois.

    Em casa, entrei em surto... Pensei mil coisas. Até ciúmes da filha, medo de ele terminar comigo... Coisas que até então nunca tinha pensado. Sem pensar muito peguei o celular e escrevi muitas coisas, questionamentos sem fundamento para um encontro de dois meses, cobrei coisas que não tinham sentido.

    Ele respondeu que precisava ficar em silêncio e digerir minhas palavras. Fui abatida pelo incerto. E o silêncio durou uma eternidade.

    Domingo era aniversário da minha neta, em uma chácara, e minha família estaria lá. Ele e a filha também deveriam ir, mas nada dele responder minhas mensagens e ligações. Com a

    correria do aniversário, almoço, bolo, docinhos, só pude sentir a angústia do sumiço.

    No caminho para casa resolvi tentar mais uma vez ligar para ele. Peguei o celular e meu mundo veio abaixo. A foto do status, do celular, e também insta e face... Em todas as redes, uma imagem com os dizeres “Ato de despedida de Carlo Vinícius Andreatta…” Velório e sepultamento no mesmo lugar…

    Enlouqueci, quis descer do carro, um abismo se abriu, eu não queria acreditar no que estava lendo. Minha mãe e filho precisaram me acalmar... Eu não conseguia entender o que estava acontecendo… Carlo morreu? Como? Quando? De que?

    ... [por conta do limite de 4000 caracteres o restante da história está apenas no áudio]

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