Sozinha de si
 copertina

Sozinha de si


Sozinha de si


Di: Mayra Abbondanza - Ghostwriter
Ascolta gratuitamente

3 mesi a soli 0,99 €/mese

Dopo 3 mesi, 9,99 €/mese. Si applicano termini e condizioni.

A proposito di questo titolo

Histórias silenciadas de mulheres despedaçadas, contadas anonimamente, para cuidar de todas de uma vez. Quantas histórias são silenciadas porque não há coragem para contar? Quantas mulheres poderiam estar se apoiando, se soubessem o que estão vivendo? Escrever sobre traumas dá a chance de resignificá-los, dando à história um outro final. Mas como poder contar histórias sem cortes, para construir uma rede de apoio, sem precisar expor nenhuma mulher ou suas famílias? ANONIMAMENTE! O processo é blindado e ninguém saberá quem você é. Mande sua história para mim 📥 ghostwriter@maabbondanza.comMayra Abbondanza - Ghostwriter Relazioni Scienze sociali
  • #35 - Do 2° grau ao divórcio
    Sep 5 2025

    Nossa história começou em 1989, quando fizemos o antigo segundo grau juntos - éramos amigos, muito amigos, daquele tipo que um guardava o lugar para o outro na sala.

    Naquele tempo, era feio a menina mostrar interesse pelo rapaz, ou melhor, se declarar apaixonada. Então eu fiquei esperando a iniciativa dele!

    Acabamos o colégio e nada aconteceu - achei que, por eu ser muito levada, gostava de fazer bagunça, isso o afastava de mim.. Ah! Lembrando que eu tinha um namorado e ele uma namorada (eu não gostava desse namorado).

    E fomos viver nossas vidas. Nos anos 90 não tinha Internet como hoje, nem celular, facebook e insta nem se fala. Sem nenhuma rede social!

    Quando o Orkut surgiu, nos encontramos aleatoriamente. Ele estava casado e eu namorando; ele gordo e barrigudo e eu muito linda!! kkkkkkk

    Tinha meus 36 anos. Demos um oi e só.

    Aos 42 encontrei um amigo que estudou com a gente e ele teve a ideia de juntar a turma, fazer um encontro. Cada um tinha uma pessoa da turma como amigo e fomos nos juntando num grupo no WhatsApp.

    Formamos 12 pessoas, organizamos um jantar de reencontro e foi tudo muito legal. Lembramos da nossa época de estudantes, nossos professores, histórias engraçadas - até as 2 horas da madrugada.

    Mas antes do dia do jantar é que tudo mudou pra mim. Ele me chamou no privado e disse: “sabia que eu era apaixonado por você na escola?” Rapidamente respondi: “eu também”.

    E começou um grande desenrolar de paixão. Minha vida mudou por completo - antes, eu estava solteira, morava com meu filho, dedicava muito tempo ao trabalho. Meus dias nunca mais foram os mesmos, ficávamos até uma, duas horas da manhã conversando.

    Foi um grande aquecimento para o dia do jantar. Quando esse dia chegou, nosso encontro foi avassalador - uma paixão, um amor, um grude, uma sensação de muita alegria, tudo brilhava - pra mim e pra ele.

    Nosso ritmo continuou acelerado e em 4 meses estávamos morando juntos na minha casa.

    Ele me levava até o metrô e me buscava todos os dias. Me protegia, cuidava de mim como nunca fui cuidada por um homem.

    Tomou tudo pra ele, não só meu coração mas também tudo que eu tinha em casa para pagar - eu já não pagava nada, só o que era do meu filho.

    Ele muito bem empregado, me ofereceu muitas coisas boas, viagens, conforto - não que eu não tivesse, mas eu não podia fazer tantas coisas ao mesmo tempo sem um planejamento. Eu tinha, enfim, a vida que eu queria ter - tudo do bom e do melhor sem pagar nada, meu dinheiro era só meu e para o meu filho.

    Tudo ia muito bem até que aconteceu algo que eu não esperava - ele não queria casar. Foi um balde de água fria. Isso me deixou triste e me abalou bastante - por muita força ele casou, mas não foi só por minha causa. Ele decidiu pedir transferência para o interior de São Paulo e eu disse que só iria casada. Nos casamos em 2017!

    Chegamos dia 4 de fevereiro de 2019 no interior. Esse também foi o ano em que o meu casamento começou a ruir - foi quando ele começou um relacionamento extraconjugal.

    Tudo caiu pra mim, eu não acreditava no que estava acontecendo - ele chegava em casa todo arranhado, com marcas pelo corpo e DIZIA QUE ERA O PINGENTE DO CORDÃO QUE ARRANHAVA.

    Um dia que não estava nem muito frio ele colocou uma meia. Achei estranho porque ele tem 140 kg. Pra ele sentir frio tem que estar muito frio. Bem, passou um tempo e ele achou que eu ia esquecer - olhei o pé dele e tinha uma marca roxa enorme.

    Eu perguntei o que era e ele me respondeu: “Ué, marca de nascença”.

    É pra matar qualquer uma.

    Eu respondi: “Eu conheci você com 14 anos, fazia natação com você e nunca vi essa marca. Durmo com você há anos e nunca vi essa marca”


    ...[por conta do limite de 4000 caracteres o restante da história está apenas no áudio]

    Lembrando que o Podcast Sozinha de si é um projeto de acolhimento através de histórias anônimas, para cuidar de todas de uma vez! Manda a sua história pra mim: ⁠⁠ghostwriter@maabbondanza.com⁠⁠





    Mostra di più Mostra meno
    12 min
  • #34 - Coragem para correr
    Jun 13 2025

    Quando a postagem sobre o podcast Sozinha de Si chegou ao meu Instagram, pensei: quero escrever. Escrever sempre foi minha forma de cura e de liberdade.

    Por muitos e muitos anos vivi um relacionamento abusivo, controlador e narcisista.

    Eu tinha 15 anos quando o conheci. Começamos a namorar em 23.10.1992. Desde o início ele demonstrou ciúmes louco. Doentio. Fazia eu trocar de roupas. E perdi todas as minhas amizades. Principalmente as masculinas.

    Com 17 anos estava grávida. Primeira relação. Primeiro contato. Primeiro tudo. Descobertas.

    Ele gritava comigo.

    Bebia.

    Me fazia repetir a história diversas vezes.

    Me falava que eu fazia isso.

    Que fazia ele fazer isso

    Se eu estava apaixonada? Hoje sei que não. Adolescente e autoestima baixa. Necessidade de viver tudo com intensidade e sem orientação. Sem educação sexual. Entregue de corpo e alma a um relacionamento doentio, com uma pessoa doentia (ele tomava medicação controlada desde os 11 anos, se sentia “o rejeitado” e nunca obteve um diagnóstico correto de sua doença).

    Tínhamos a mesma idade, mas ele falava que eu era mais experiente, que eu o manipulei e que fiquei grávida para o segurar. Eu? A última coisa que queria era ser mãe e a penúltima era casar. Falava também que eu não estava grávida dele. Que o usei.

    São tantas as histórias e momentos de dor que me lembro, que poderia escrever vários livros.

    Vou escrever uma delas. O dia que corri, corri muito, muito. Para bem longe dele, mas ainda não foi o suficiente para eu ser livre.

    Era fevereiro de 1994. Calor. Carnaval. Minha cidade do interior lotada como sempre. Tínhamos o carnaval mais intenso e melhor da região.

    Eu estava com 4 meses de gravidez. Minha barriga já aparecia. Estava com um vestido de flores coloridas grandes e fundo vermelho. Rabo de cavalo. Eu amava esse vestido. Ficava bonita nele. Meu pai falava que ficava linda grávida com ele.

    A rua cheia, o som do batuque e músicas de carnaval.

    Eu, angustiada porque não queria estar ali, minha barriga grande, medo que acontecesse alguma coisa, porque ele era totalmente imprevisível.

    Medo dos gritos dele me culpando porque teria olhado para alguém ou qualquer coisa parecida.

    Ele bebia, e isso me deixava mais vulnerável às agressões dele.

    O som do carnaval, os gritos dele, as pessoas olhando, ele segurando no meu braço, minha barriga grande, meu vestido vermelho de flores. Neste momento me virei e corri. Corri. Ele me alcançou, me puxou pelo meu rabo de cavalo. Lembro do tranco para trás; mas mesmo assim não parei, peguei mais fôlego e corri mais, mais...

    Morava em um local que precisava subir um aclive, era o "morro do colégio Lameira". Corri muito naquele morro. Corri. Eu não olhei para trás, mas sei que ele estava lá. Correndo atrás de mim. Eu não olhei para trás.

    Até chegar à porta da minha casa. Entrei suada, chorando, correndo e descabelada. Mas hoje, e agora escrevendo, entendo porque me senti feliz e livre. Porque eu corri. Eu tive coragem.

    Olhei pela janela e ele ficou a noite toda, até o amanhecer, sentado lá embaixo na subida do morro esperando eu sair. Eu não sai. Eu corri dele. Eu tive coragem

    Se pudesse voltar naquele dia e momento, eu diria para aquela menina de 17 anos, grávida de 4 meses que ela não precisava ter medo dele. Que ela tinha escolhas, sim, que ela não era ele. Que ela poderia viver tudo que ainda queria viver, que ela sim, poderia ser uma escritora, que ela, sim, poderia fazer a faculdade de jornalismo, que ela, sim, era forte. Que seria feliz.


    Lembrando que o Podcast Sozinha de si é um projeto de acolhimento através de histórias anônimas, para cuidar de todas de uma vez! Manda a sua história pra mim: ⁠⁠ghostwriter@maabbondanza.com


    Mostra di più Mostra meno
    4 min
  • #33 - Para que o novo me faça feliz
    May 23 2025

    Gosto muito do conteúdo da página, poderia virar um livro.

    Sou uma mulher autista e aos 34 anos queria muito ser mãe, mas ninguém se interessava por mim, não conseguia um casamento. Um colega de trabalho me pediu em casamento repentinamente, havia boatos que ele gostava de mim, eu não tinha certeza. Aceitei o pedido e em menos de seis meses estava casada e grávida do meu filho José Renato, hoje com 13 anos.

    No início do casamento achei estranho que de cara ele não deixava eu sair sozinha, dizia que casamos para vivermos juntos, sairmos juntos, estarmos juntos. Não era um homem carinhoso, nem atencioso, mas gostava muito de sexo, mas de forma muito fria. Eu não me importava, não tinha tido outros parceiros e não sabia que aquilo não era normal para quem dizia amar tanto.

    Nascido o meu filho, fui trabalhar certa vez e deixei o bebê com ele muito doente, quando cheguei meu filho chorava muito e ele estava trocando mensagens por sms que era o que tinha na época com uma colega do trabalho dele, mensagens que pareciam estar me traindo com ela, mas na hora pensei no meu filho, discuti um pouco com ele e deixei o assunto pra lá.

    Tive o segundo filho dois anos depois, Samuel com 11 anos agora, Samuel bebê ainda peguei mensagens novamente dele com uma moça do trabalho, essas já declarando um caso explicitamente, passado dois dias ele foi internado com grave problema no nervo ciático e ficou quase um ano sem andar, o caso foi esquecido.

    Depois que ele melhorou começaram as ofensas, ele dizia que eu era feia, mal arrumada, sem graça, que se não fosse ele ninguém iria se casar comigo, se ele me largasse ninguém mais iria me querer, que me achou largada na rua. Depois começou a fazer passeios só com os filhos e eu ficava sempre em casa, moramos na praia, ele nunca me levava, era assunto de homem ele dizia, assim minava minhas forças e autoestima.

    Começaram as dívidas, ele fez três cartões de crédito com valores altos e estourava todos todos os meses e não conseguiamos pagar, me pedia para fazer empréstimos no meu nome para ajudar, assim me endividou muito.

    Ao me ver totalmente derrotada como pessoa, toda endividada, confessou que tinha outra mulher, na hora pedi a separação e não quis mais, senti que era a hora da minha libertação. Ele se recusou a sair de casa, disse que ali estava a sua esposa e filhos e jamais sairia, eu me recusei a ter intimidades com ele, deixei claro que não continuaria aquele casamento.

    Ele passou a ser agressivo, sabia meus gatilhos e como provocar crises características do autismo, me dopava e eu ficava no quarto, deitada por dias, sem alimentação e meus filhos presenciando tudo. Dizia para ele que isso não adiantaria que eu não iria ceder, ele começou a bater nos meus filhos, racionar comida, dar comida azeda e repetir o cardápio o mês todo.

    Eu não cedi, um conselheiro tutelar para quem pedi ajuda me aconselhou a denunciar, caso contrário seria cúmplice dos maus tratos às crianças e poderia perder a guarda, assim fiz, no mesmo dia consegui medida protetiva e a polícia tirou ele de dentro de casa.

    Depois disso ele continuou me ameaçando e perseguindo, obtive mais duas medidas protetivas, por fim após 5 meses de separação ele pediu vistas dos filhos, passado 3 meses, ele agrediu fisicamente e de forma grave o filho menor. Registrei BO e fiz a representação criminal.

    Após 2 anos de separação ainda luto com dificuldades na justiça para o fim de todo o processo de divórcio e questões relacionadas aos filhos, um processo desgastante, estressante e posso até dizer violento que irá deixar sequelas dolorosas em mim e nos meus filhos.

    ...[por conta do limite de 4000 caracteres o restante da história está apenas no áudio]

    Lembrando que o Podcast Sozinha de si é um projeto de acolhimento através de histórias anônimas, para cuidar de todas de uma vez! Manda a sua história pra mim: ⁠⁠ghostwriter@maabbondanza.com⁠⁠





    Mostra di più Mostra meno
    6 min
Ancora nessuna recensione