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Di: RFI Brasil
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France Médias Monde
Politica e governo
  • Dupla de artistas gaúchos explora universo e linguagem em exposição em Marselha
    Feb 21 2026

    O Fundo Regional de Arte Contemporânea de Marselha (Frac Sud), no sul da França, acolhe até 15 de novembro a exposição "Champ étoilé" (Campo estrelado), da dupla de artistas gaúchos Angela Detanico e Rafael Lain. A mostra é um mergulho na imensidão do universo, contemplando linguagem e instigando o público a refletir sobre os mistérios do cosmos.

    Daniella Franco, enviada especial da RFI a Marselha

    Composta por seis obras guiadas pela luz como elemento central, “Champ étoilé” articula peças que se entrelaçam para criar pontes entre beleza, poesia e ciência. O conjunto oferece um recorte emblemático da pesquisa de Detanico e Lain, marcada pela linguística e pela exploração da relação entre tempo e espaço.

    "É uma exposição que nos fala das nossas origens, dos seres vivos, desde o Big Bang. Mais de 13 bilhões de anos depois, essa luz que criou a vida na Terra, continua existindo. Então, essa reflexão nos convida a nos descentralizar e a compreender que, nesta cadeia ambiental e do universo, nós somos apenas um elo", diz a curadora da mostra e diretora do Frac Sud, Muriel Enjalran.

    Para ela, as obras de Angela e Rafael vão além da poesia do cosmos, abordando também o lugar dos seres humanos no mundo, algo que não é novo para os brasileiros. "O Brasil, com seus povos indígenas, reflete há muito tempo sobre essa intercorrelação dos astros, da natureza e da humanidade", ressalta.

    Angela Detanico explica que a ideia era colocar em diálogo diferentes momentos da história da luz e do universo. "As obras fazem um pouco esse passeio pelo tempo e pelo espaço, falando um pouquinho também de linguagem, que é um dos nossos temas de predileção. Então nós temos o sol, a lua, estrelas, galáxias muito distantes. A nossa ideia era realmente criar essas diferentes temporalidades", diz.

    "Para nós é importante a compreensão de que toda a matéria do universo estava, no passado, unida em um mesmo ponto. Então, tudo faz parte de um todo. Mesmo que a gente tenha a experiência e a consciência da individualidade, no fundo, nós somos todos parte de um sistema que se equilibra e que é interdependente", completa Rafael.

    Telescópios e campos de flores

    Entre as obras exibidas, está a monumental instalação "Floraison de la Lumière" (Florescimento da Luz), concebida no âmbito do Prêmio Marcel Duchamp 2024, a maior recompensa de artes plásticas e visuais da França, para o qual Angela e Rafael foram nomeados. A peça, exposta no ano passado no Centro Pompidou, em Paris, associa imagens de telescópios a fotografias de campos de flores feitas pelos artistas.

    Outro destaque da exposição é a instalação "Les Mers de lune" (Os Mares da Lua), projeções em um disco de pedras brancas, que reproduzem uma espécie de jardim zen. A instalação é acompanhada de uma etérea trilha sonora composta para uma peça de dança apresentada por Angela e Rafael em Marselha em 2013.

    Outras peças foram concebidas especialmente para a exposição "Champ étoilé" , como a luminosa tela "Souleu". A obra é uma representação do sol feita na língua provençal de Marselha. Já "Analema"é um trabalho em texto que evoca os 365 dias do ano.

    Angela e Rafael são naturais de Caxias do Sul (RS) e viveram mais de vinte anos na França, antes da recente decisão de retornar ao Brasil. Para eles, todo o trabalho desenvolvido se conecta com o país. "Tudo vem de lá e acaba lá, com essa natureza tão presente no Brasil, além desta conexão com os elementos que a gente carrega", observa Angela.

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    7 min
  • Interpretado só por mulheres, novo álbum de Mu Carvalho ‘nasceu em Paris’
    Feb 19 2026
    "O Mundo é o Meu Jardim" é o oitavo álbum solo do pianista, tecladista, compositor, arranjador e produtor Mu Carvalho. A ideia para esse novo disco, lançado no final de 2025 em todas as plataformas digitais, “nasceu em Paris”, cidade onde o músico carioca, integrante da banda “A Cor do Som”, vive boa parte do ano. Todas as nove músicas são inéditas e interpretadas exclusivamente por mulheres. “O Mundo é o Meu Jardim” traz nove composições, alternando diferentes estilos musicais, como bossa nova, samba, jazz e pop. Mu Carvalho mostra que tem talento musical e também talento para semear parceiros e amigos. Cada música do disco tem letra de parceiros diferentes e é interpretada por cantoras diferentes. “Eu sou essencialmente um melodista. Se eu escrevi três ou quatro letras na minha vida, foi muito. Então, eu tenho um orgulho gigante de ter na minha trajetória parceiros incríveis, como Paulinho Tapajós, Aldir Blanc e Moraes Moreira, que foi meu parceiro de muitas músicas desde a época do comecinho da Cor do Som”, lembra. Há mais de cinco anos, o músico divide sua vida entre o Rio e Paris, onde passa vários meses do ano em um “cantinho bem charmoso entre o Invalides e a Tour Eiffel” para ficar mais perto de parte da família, radicada na França. “O Mundo é o Meu Jardim” reflete essas andanças e a carreira de Mu Carvalho, iniciada nos anos 1970, quando participou ao lado do irmão e baixista Dadi Carvalho da fundação da banda “A Cor do Som”. Músicas em vários idiomas O oitavo álbum solo traz música em vários idiomas: português, inglês, italiano e francês. A primeira faixa, "Je t’aime tout simplement", é uma bossa nova interpretada pela francesa Gabi Hartmann. A nova parceira também assina a letra da música. “Foi uma felicidade imensa fazer essa música com a Gabi. Eu quis colocar essa música começando o disco porque esse disco, essa ideia toda, nasceu aqui nesse cantinho na França, em Paris”, conta. Mu Carvalho não interpreta nenhuma das faixas. “A bandeira importantíssima” de fazer um álbum só de vozes de mulheres veio à tona quando ele pensou em quem poderia interpretar “Aconteceu em Búzios”, música em parceria com Tavinho Paes, escrita nos anos 1980. A faixa mais pop de “O Mundo é Meu Jardim” é interpretada pela cantora e guitarista Ana Zingoni, mulher e parceira de vida de Mu Carvalho. “Eu me reconheci muito nessa poesia, porque é a história que a gente vivia naquela época. A melodia é linda. Eu fiquei muito honrada com o convite. Mais um trabalho junto com meu parceiro de vida e de música”, diz Ana Zingoni. Segundo ela, “foi muito especial (participar do álbum) porque realmente as cantoras que ele selecionou são pessoas que eu admiro muito”. Zizi Possi interpreta samba O samba "Promessas Mis", interpretado no álbum por Zizi Possi, foi uma das últimas parcerias de Mu Carvalho com Moraes Moreira. O músico baiano, com quem o tecladista carioca começou a trabalhar ainda na adolescência, foi uma espécie de mentor da banda A Cor do Som. “Moraes é um parceiro assim da vida. Para você ter uma ideia, a primeira música, a primeira obra litero-musical que eu compus foi com ele”, confirma. “O Mundo é o Meu Jardim” também traz uma linda homenagem a Gal Costa, na música "Domingo Novo", composta em Paris. A letra é de Fausto Nilo, marcando a primeira colaboração entre os dois. Show em Paris? Mu Carvalho, que também é autor de trilhas sonoras de novelas de sucesso, nunca se apresentou em Paris, nem com “A Cor do Som”. Ele espera poder em breve fazer um show na capital francesa. “Eu estou muito empolgado com esse disco. Eu estou produzindo o vinil dele. A gente vai voltar no meio do ano e vamos ver se a gente começa a trabalhar um pouco mais por aqui. Vai ser um prazer”, antecipa. Também está no radar planos para festejar os 50 anos de “A Cor do Som”, em 2027. O último álbum da banda, o “Álbum Rosa”, vencedor do Grammy Latino, foi lançado em 2020. No mundo-jardim de Mu Carvalho há sempre vários canteiros para semear, “que tem que regar todo dia com emoção e alegria, como dizia Moraes Moreira”, conclui o músico. Clique na foto principal para ouvir a entrevista completa.
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    12 min
  • Diversidade do vinho brasileiro conquista visitantes em feira mundial do setor em Paris
    Feb 13 2026
    A participação brasileira na Wine Paris 2026 ganhou destaque entre os expositores internacionais e deixou os produtores brasileiros otimistas. Oito vinícolas de quatro estados – Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco – marcaram presença no salão francês, encerrado na quarta-feira (11), que se consolidou como uma das maiores vitrines globais do setor. Adriana Moysés, da RFI em Paris Com apoio da ApexBrasil, as empresas exibiram a diversidade da viticultura brasileira e comemoraram a boa acolhida de compradores e especialistas europeus. Criada em 2019, a Wine Paris se transformou em um encontro obrigatório do calendário mundial do vinho, que reuniu, no ano passado, mais de 5.400 expositores de 154 países. É essa dimensão, somada ao dinamismo comercial, que tem atraído cada vez mais vinícolas brasileiras. Entre os produtores estreantes, a Salton disse estar impressionada com a magnitude do evento. O gerente de negócios internacionais da vinícola, com sede em Bento Gonçalves (RS), César Baldasso, reconheceu que a Wine Paris superou as expectativas. “A gente está totalmente surpreendido. É uma feira de altíssima qualidade, com um movimento muito grande – e um movimento de qualidade. As reuniões foram excelentes, compradores realmente interessados no Brasil. Saímos daqui certos de que voltaremos no próximo ano”, disse Baldasso. Ele também destacou o papel crescente dos espumantes brasileiros no mercado internacional. “O espumante brasileiro é um grande diferencial, o melhor espumante do hemisfério sul – e, por que não, entre os melhores quando consideramos o Velho Mundo?” Miolo reforça diversidade e aposta no futuro Também gaúcha, a Miolo participou pela segunda vez da Wine Paris. Para Lúcio Motta, líder da área de exportação, o interesse dos compradores segue forte, especialmente pelos espumantes, mas não só. “O espumante é o interesse inicial, mas os tintos e brancos têm procuras similares. Os importadores ficam impressionados com a quantidade de uvas que produzimos e com nossa capacidade de trabalhar em diferentes níveis de preço”, afirmou Motta. Durante a feira, houve um debate sobre as consequências do Acordo Comercial Mercosul–União Europeia, que, ao derrubar as tarifas de importação para zero no caso dos vinhos, pode impactar a competitividade das bebidas nacionais. Atualmente exportando para seis países europeus – França, Itália, Alemanha, República Tcheca, Suécia e Malta –, além de outros mercados pelo mundo, o representante da Miolo encara o futuro com confiança. “A preocupação existe, claro. Mas também vemos uma oportunidade. Quem ainda não exporta precisa começar a pensar nisso, porque o mercado brasileiro ficará mais competitivo. Vamos ter que buscar novos mercados e essa expansão já está no nosso horizonte há 30 anos”, disse Motta. Vinhos de Minas Gerais A Serra da Mantiqueira esteve representada pela Casa Almeida Barreto, que participou pela primeira vez de uma feira internacional. Para Jorge Almeida, a expectativa foi superada. “Muita gente está curiosa para explorar vinhos do Brasil. Trouxemos vinhos jovens, frescos, da safra 2024, sem passagem por barrica, para deixar a fruta falar mais. A altitude de 1.300 metros nos dá acidez alta e complexidade. A resposta tem sido muito positiva”, apontou Almeida. Na mesma região, a vinícola Barbara Heliodora iniciou sua produção há cerca de oito anos e chamou a atenção por ter conseguido desenvolver, em pouco tempo, vinhos complexos e longevos, segundo o sommelier Marcos Medeiros. “A Mantiqueira produz vinhos elegantes e frutados, graças à amplitude térmica. As uvas que melhor se adaptaram foram a sauvignon blanc e a syrah. Desde 2018, fazemos de um rosé delicado a uma Grande Reserva com até 24 meses em carvalho. Os franceses estão adorando – é um vinho diferente, vindo de um país tropical”, comentou o sommelier. Do Vale do São Francisco à capital francesa A pernambucana Verano Brasil mostrou na feira a singularidade da produção no Vale do Rio São Francisco, região do paralelo 8 onde é possível colher uvas o ano inteiro. O diretor comercial Evandro Giacobbo trouxe dois estilos nos rótulos apresentados. "O primeiro, mais despojado, tropical, jovem e refrescante – pensado para encantar um público iniciante. E a linha Garziera, mais tradicional, com varietais de malbec, cabernet sauvignon e chardonnay. É a jovialidade do Vale do São Francisco chegando a Paris”, celebrou. A Wine Paris 2026 ocupou nove pavilhões no Parque de Exposições da Porte de Versailles. Entre seus corredores movimentados, os produtores brasileiros encontraram não apenas compradores interessados, mas uma verdadeira oportunidade de reposicionar a imagem do Brasil no cenário internacional como um país de diversidade vitivinícola.
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    8 min
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