Episodi

  • #46 - Clarice Lispector - Isso é muita sabedoria - Amor nada mais fazer
    Jul 9 2025

    O convite deste espaço é uma travessia que faz fronteira com o inconsciente aberto: poesia é forma pura de diálogo e expressão da pessoa que escreve com o saber sobre o qual escreve. A poesia dá ao inconsciente um vínculo com o corpo da palavra. O saber criativo da poesia dá um lugar ao que se expressa livre pela metáfora. Ressoa e se apresenta como uma voz do inconsciente numa forma de linguagem.


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    Clarice Lispector foi uma escritora e jornalista ucraniana naturalizada brasileira. Autora de romances, contos e ensaios, é considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX e a maior escritora judia desde Franz Kafka.


    Nasceu em uma família judaica russa que perdeu suas rendas com a Guerra Civil Russa e se viu obrigada a emigrar em decorrência da perseguição a judeus, à época, a qual resultou em diversos extermínios em massa.


    A futura escritora chegou ao Brasil, ainda pequena, em 1922, com seus pais e duas irmãs. Clarice dizia não ter nenhuma ligação com a Ucrânia - "Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo" - e que sua verdadeira pátria era o Brasil.


    Estudou Direito na Universidade Federal do Rio De Janeiro, conhecida como Universidade do Brasil, apesar de, na época, ter demonstrado mais interesse pelo meio literário, no qual ingressou precocemente como tradutora, logo se consagrando como escritora, jornalista, contista e ensaísta, tornando-se uma das figuras mais influentes da Literatura Brasileira e do Modernismo sendo considerada uma das principais influências da nova geração de escritores brasileiros. É incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século XX.


    No total, a obra de Clarice Lispector recebeu mais de 200 traduções para mais de 10 idiomas, do tcheco ao japonês, sendo mais de 179 traduções integrais de livros e 25 de contos publicados em periódicos. Seus livros mais traduzidos são principalmente romances: A Hora da Estrela, com 22 traduções; A Paixão segundo G. H., também com 22; Perto do Coração Selvagem, com 18; Laços de Família, com 16; e Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, com 15.


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    Quando fazemos tudo para que nos amem... e não conseguimos, resta-nos um último recurso, não fazer mais nada.


    Por isto digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado... melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram.


    Não façamos esforços inúteis, pois o amor nasce ou não espontaneamente, mas nunca por força de imposição.


    Às vezes é inútil esforçar-se demais... nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende a nossos pés.


    Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido.
    Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer.


    Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de nada mais fazer.

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    2 min
  • V O Z
    Feb 10 2025

    Nesse episódio, Mirella nos leva ao laço interno, esterno, fugaz e sublime da voz


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    Uma voz, a voz, voz. Voz própria, incerta, reclama. Voz própria, certeira, afirma. Ecoa, ecoa, protesta e suplica. Encontra, ameaça, abraça.


    É caminho e direção que pulsa sem roteiros a borbulhar. Se entrega como sêmen e rega o silêncio barulhento do meu por dentro. Não me suporto calada. E a voz insiste. Insiste.


    Fala. Produz minha fala e devotada expressa o princípio num ensaio do que sinto, ainda tímida. descola-se por si mesma de dentro de mim, emerge como verbo, espectro encantado implora. Alguém me escuta? Alguém?


    Alguém me escuta? A palavra, então, em si me aparece, branca, cálida, doída, tímida. Salgada, eufórica, doida. Falei.

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    2 min
  • E S Q U E C I - Poesia sobre o deixar
    Aug 17 2024


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  • Sigo - Poesia tempo e envelhecimento
    Jul 18 2024


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    Sigo, incendei o meu por dentro, vago sem pôr vir. Sigo sendo, em mim, o bom, o ruim, o santo e o demônio. Degusto pequenos sussurros, envelheço pulsando vida. Sigo no meu contrário, no avesso do meu por fora, na intimidade da minha incompletude. Sigo às cegas, apalpando o que vou deixar de mim, tateando o que vou tomar para mim. Abençoada pela vida, seguimos juntas, eu e ela. Seguimos incendiando meu por dentro.


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    1 min
  • Profundas Aguas - Poesia da leveza e abismo do ser
    Apr 27 2024

    Nesse episódio, Mirella nos leva ao mergulho mais intimo de nossas próprias águas


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    Poesia. História. Poesia. Poesia. A lagoa brilhava, respondendo ao sol que dourava a água com muita ternura. Eu estava lá. Tudo era. Estava tranquilo. O vento era quase suave, ondas pequenas sossegava, acabando se no continente do encontro com árido solo craquelado.


    O sol queimava o fundo da lagoa. Era possível de ver a olho nu, esculpia contornos suaves e, em lugar das montanhas, miniaturas que eram luminosas, reluziam a energia do sol que tingia a água. A água estava dourada em todo o seu dorso. Um som sujo próximo de mim vem de dentro de baixo da água e sobe à tona a estoura.


    Uma bela bolha gigante desenha círculos, círculos, círculos sobre a água. Eu observo. Recebo o inesperado e sorrio. Era como se alguém invisível brincando comigo tivesse lançado ali uma pedra ou mesmo soprado o ar por um canudo lá para dentro da água. O fato é que eram belas bolhas de ar que emitiam aconchegantes sons ao estourar.


    Produziu uma coreografia de círculos que dançavam sem fim até desaparecerem no maior. E eu estava lá. Sento me uma pedra e repouso meus pés sobre o lodo brilhante. Um depois o outro, os dois banhados pela água que era morna e agradável. Depois ponho me em pé. Sinto o peso do meu corpo autorizar um espaço do lodo, iniciar um caminhar lento, bem lento do lodo penetrando em meus dedos e eu caminhando sobre ele, sobre o lodo.


    Surpreendo me a cada macio passo. Por debaixo dos meus pés saem bolhas de ar. Recolhi a vivência em meus sentidos. Meus pés em serena sensação de plenitude, de ternura, Percebiam se embalados pelo ventre aerado daquela matéria orgânica disponível para mim. As bolhas emergiam únicas e estouravam quando encontrava um ousado olhar imprevisto do vento.


    Quando olhavam o sol, elas estouravam. Era ar. Existia ar recheando aquele solo de lama tão delicado e sutil. A cada passo imaginava espaços de respiração no submerso solo. Existia a vida. Ali a vida vibrava, vibrava, honrando o único com brincadeiras de fazer estourar bolhas com barulhos de infância.


    Uma experiência que me tomava. Eu recebia a oferta e ficava lá e mais um pouco. Experimentava a sensação de ser o que eu vivia, ser o lodo, ser a água, ser as bolhas de ar, ser o sol, ser o vento. Procurava trazer à tona de mim, do meu lodo mais profundo, bolhas de ar, espaços de respiração. Pensava, sentia e procurava brincar com elas.


    O ritmo sincrônico do borbulhar fazia me me alegrar e o presente recebia tudo aquilo que reverberava em calor. Mas sabem, muito rápido. Veio uma transformação. O vento aumentou, batia em meu rosto com seu cheiro gelado. Um vento presente circular. A água que era tranquila, ficou poderosamente brava e pequenas ondas passaram a estourar em meus pés, em minhas pernas, em minhas coxas.

    Opaca. A água agora barrenta, remexia todo seu fundo. Estas ondas e mais ondas mostravam o seu desconforto e mudavam o estado de espírito da lagoa, que agora não estava mais tranquila. Eu estava lá e senti uma profunda gratidão, uma experiência única.

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    6 min
  • A casa das Rosas - Uma história sobre desejo e carne
    Nov 23 2023

    Nesse episódio, Mirella nos leva para visitar o mais íntimo de nossa sexualidade. O que você faria diante de um pedido inusitado de alguém que, sem sua ajuda, jamais conseguiria realizar algo da ordem do prazer? Como você poderia deixar sua moral de lado, para não julgar nenhum dos envolvidos nessa cena? Até onde você iria por aquilo que é da ordem do desejo, do carnal? 


    Um episódio absolutamente necessário, em sua riqueza de detalhes, que nos faz com que pouco a pouco mergulhemos nas mais diversas sensações. Esse episódio convida a pensar e repensar a ética da psicanálise, a ética do analista, e os limites do empréstimo de seu próprio corpo.  


    Um relato potente, sobre novamente fazer o que precisa ser feito, pois é na suporte e no encontro que o desejo faz ouvir-se e manifestar.


    "PORQUE O AMOR DEMANDA O AMOR. ELE NÃO DEIXA DE DEMANDÁ-LO. ELE O DEMANDA ...MAIS..

    AINDA" - Lacan 


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    Epílogo 

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    Anexo:


    Déjà-vu frenesi
    Canção de Letrux


    Todo corpo tem água

    Lágrima, suor e gozo

    Todo corpo tem água

    Lágrima, suor e porra

    Ou a gente chora, ou a gente sua

    Ou a gente goza

    Só não pode magoar

    Se organizar direito

    Todo mundo chora

    Se organizar direito

    Todo mundo cansa
    Mas nem todo mundo transa

    Nem todo mundo goza

    Nem todo mundo chora
    Num deixa secar, nem deixa magoar

    Não deixa

    Todo corpo tem fogo

    Célula, neurônio e sangue

    Todo corpo tem fogo

    Célula, neurônio e pele
    Mas nem todo mundo jura

    Nem todo mundo pensa

    Nem todo mundo cura!

    Num deixa sangrar, nem deixa derramar

    Não deixa Déjà-vu!

    A gente já teve aqui

    Déjà-vu!

    Viver é um frenesi



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    17 min
  • É PRECISO IR — Uma história sobre ir em direção ao necessário desconhecido 
    Apr 12 2023

    Prólogo:

    A vida sempre vence. E ela sendo esse objeto pulsante que não cessa de não se inscrever (inclusive na morte) ela muda. Nesse espirito da transitoriedade que esse podcast retorna. Um re.começar, e re.conhecer. 


    Essa nova temporada é um convite para que todos possamos sonhar e construir novas ficções de nos mesmos. Desenhar saídas singulares e inéditas para o que seja a experiência constante de transformar a vida. 


    Obrigado aos que estavam aqui antes, aos que estão aqui agora e aos que ainda estão por vir.  Que de algum modo possamos nos conectar, tecer juntos o fio da existência que nos define enquanto um SER, um ato... Ser humano. 


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    Peça:

    Nesse episodio Mirella nos convida a visitar o íntimo de nosso ser — Um espaço entre duas notas de música, para podermos olhar até onde iriamos para ajudar alguém. Das limitações do espaço físico, as barreiras morais, éticas e de nossos próprios preconceitos.  — Um relato delicado, sobre a importância de ser ir se ir onde se é preciso. 


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    Anexo:


    Nascer, viver, morrer

    Canção de Tim Bernardes

    Nascer
    Nascer outra vez bem no meio da vida
    De fato acordar e enxergar cada dia
    As coisas existem com força e magia
    E eu sou a consciência da coisa que eu sou
    Eu quero e eu amo e eu posso e eu vou Viver
    Na realidade que é onde é possível
    Às vezes sem nem perceber que está vivo
    Às vezes na barra, às vezes na boa
    No mundo, na mente, no sonho e no ser
    No raro momento infinito viver Morrer
    De a ausência, presença do inexistente
    Do silêncio com seu volume gigante
    Limite pra além do azar e da sorte
    Que prova existir vida antes da morte
    Que une e separa o todo da parte Nascer
    Viver
    Morrer
    Nascer

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    21 min
  • #45 - Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem
    Dec 14 2021

    O convite deste espaço é uma travessia que faz fronteira com o inconsciente aberto: poesia é forma pura de diálogo e expressão da pessoa que escreve com o saber sobre o qual escreve. A poesia dá ao inconsciente um vínculo com o corpo da palavra. O saber criativo da poesia dá um lugar ao que se expressa livre pela metáfora. Ressoa e se apresenta como uma voz do inconsciente numa forma de linguagem.

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    Clarice Lispector foi uma escritora e jornalista ucraniana naturalizada brasileira. Autora de romances, contos e ensaios, é considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX e a maior escritora judia desde Franz Kafka.

    Nasceu em uma família judaica russa que perdeu suas rendas com a Guerra Civil Russa e se viu obrigada a emigrar em decorrência da perseguição a judeus, à época, a qual resultou em diversos extermínios em massa.

    A futura escritora chegou ao Brasil, ainda pequena, em 1922, com seus pais e duas irmãs. Clarice dizia não ter nenhuma ligação com a Ucrânia - "Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo" - e que sua verdadeira pátria era o Brasil.

    Estudou Direito na Universidade Federal do Rio De Janeiro, conhecida como Universidade do Brasil, apesar de, na época, ter demonstrado mais interesse pelo meio literário, no qual ingressou precocemente como tradutora, logo se consagrando como escritora, jornalista, contista e ensaísta, tornando-se uma das figuras mais influentes da Literatura Brasileira e do Modernismo sendo considerada uma das principais influências da nova geração de escritores brasileiros. É incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século XX.

    No total, a obra de Clarice Lispector recebeu mais de 200 traduções para mais de 10 idiomas, do tcheco ao japonês, sendo mais de 179 traduções integrais de livros e 25 de contos publicados em periódicos. Seus livros mais traduzidos são principalmente romances: A Hora da Estrela, com 22 traduções; A Paixão segundo G. H., também com 22; Perto do Coração Selvagem, com 18; Laços de Família, com 16; e Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, com 15.

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    Epílogo
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    Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não ser...
    Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhece; e a subjetiva... Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos - Quem somos? Não saberemos dizer ao certo!
    Agora de uma coisa eu tenho certeza: sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser... Aqui reside o eterno conflito da aparência x essência. E você... O que pensa disso?

    Que desafio, hein?
    "Nunca sofra por não ser uma coisa ou por sê-la."
    (Perto do Coração Selvagem, p. 55)

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