Episodi

  • Por que literatura sobre ditadura NÃO precisa ser confessional?
    Jan 2 2026

    O autor não fala diretamente. O autor traz intercessores.


    Bolaño não testemunha a ditadura em primeira pessoa. Ele cria Maurício Silva (o Olho) — um gay, exilado, minoritário dentro da própria esquerda — e fala ATRAVÉS dele.


    Silviano Santiago não confessa a tortura. Ele inventa Graciliano Ramos prisioneiro do Estado Novo e fala ATRAVÉS dele.


    Coutinho não interpreta os personagens. Ele coloca a câmera e deixa que fabulem.


    Isso é literatura testemunhal? Sim. Mas testemunho não é relato em primeira pessoa. É uma TERCEIRA PESSOA que julga entre as partes.


    Neste episódio:

    → Bolaño e Maurício Silva (Estrela Distante)

    → Silviano Santiago contra os benjaminianos

    → Por que Coutinho é o máximo da literatura não-confessional

    → Literatura sobre ditadura além de Gabeira


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    18 min
  • Por que Kleber Mendonça Filho NÃO É brechtiano? (e Eduardo Coutinho é)
    Dec 30 2025

    O ator não É o personagem. O ator CITA o personagem.


    Essa é a revolução brechtiana: distanciamento, desnaturalização, fazer pensar. Mas e o cinema? Como o gesto brechtiano opera na tela?


    Neste episódio, analiso:

    → Por que Kleber Mendonça Filho (O Agente Secreto) NÃO é brechtiano

    → O que Eduardo Coutinho faz que é radicalmente diferente

    → Gesto, distanciamento e intercessores no cinema brasileiro

    → Virginia Woolf, Shantal Akerman, Deleuze e o corpo que pensa


    Leia o ensaio completo "O diferentão do sistema" no Substack O Abertinho.

    Conheça o curso Estética da Dependência em ead.aengenhoca.com


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    26 min
  • Macondo acabou: Roberto Bolaño, as ilusões perdidas e o antimacondismo
    Dec 30 2025

    Neste vídeo, analiso a noção de MAL na obra de Bolaño — dividida em duas dimensões:MAL OBJETIVO: Nazismo meta-histórico que sobrevive nas ditaduras latino-americanas. Em 2666, evolui para biopoder em Santa Teresa (Ciudad Juárez) — feminicídios sistemáticos, maquilas, sociedades secretas masculinas.MAL SUBJETIVO: Marginalidade do poeta exilado. Arturo Belano (alterego de Bolaño) e Mário Santiago representam sonhadores latino-americanos perdidos pelo mundo.UNIVERSO INTERCONECTADO: Galeria de espelhos infinitos. Romances se estendem uns nos outros. Mistura figuras reais (Neruda, Rubem Fonseca) com ficcionais — gesto borgiano aplicado à política.ANTIMACONDISMO: Rompe com realismo mágico após fim das ilusões revolucionárias. Critica Neruda e Octavio Paz. Macondo acabou. Sobrou Santa Teresa.No Brasil, temos um lapso crítico: literatura sobre ditadura é tardia ou biográfica, sem articulação ficcional imediata como em Bolaño.AUTORES/CONCEITOS: Giorgio Agamben (testemunha-sobrevivente), literatura menor, biopoder, nazismo meta-histórico, Arturo Belano, Mário Santiago, Cesárea TinajeroOBRAS: 2666, Os Detetives Selvagens, Estrela Distante, Noturno do Chile

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    26 min
  • Estética da Dependência: Cinema Marginal vs Cinema Novo
    Dec 28 2025

    Quando falamos de estética da dependência no cinema brasileiro, não se trata apenas da teoria da dependência de Fernando Henrique Cardoso ou do debate marxista sobre superexploração. Trata-se de entender como o cinema nacional se vincula ao capital externo — ontem e hoje.


    Do Cinema Novo aos streamings, essa relação define não apenas a produção, mas os próprios filmes: seus roteiros, protagonistas, estéticas.


    Neste episódio, analiso como o Cinema Marginal já fazia, nos anos 60-70, uma crítica mais radical do que a academia faria décadas depois.


    TEMAS DISCUTIDOS:


    CINEMA DE RESULTADO (redemocratização):

    Filmes e protagonistas buscando ascensão individual. Self-made man, meritocracia, ideais do livre mercado no roteiro. Herói ressentido (Ismail Xavier). Estética da fome para cosmética da fome (Ivana Bentes).


    CINEMA MARGINAL vs CINEMA NOVO:

    Sganzerla e Helena Ignez na Pasquim (1970): crítica ao esquemão. Cinema Novo como empresa fechada que lima novos cineastas. 1968: Bandido da Luz Vermelha limado de Cannes para entrar O Dragão da Maldade. Glauber chama marginais de udigrudes.


    A MULHER DE TODOS (Sganzerla, 1969):

    Helena Ignez: ex-mulher de Glauber, casada com Bressane. Super feminista que inferioriza intelectuais de classe média. Sátira à intelectualidade cinemanovista.


    SEM ESSA, ARANHA (Sganzerla, 1970):

    Personagem Aranha: heterodiscurso polifônico. Mistura bordões da burguesia reacionária com discurso revolucionário. Impossível saber se é revolucionário ou reacionário.


    SERTÃO IMANENTE vs SERTÃO TRANSCENDENTE:

    Glauber (Deus e o Diabo): sertão mítico, metafísico, transcendente. Sganzerla (Copacabana Mon Amour): sertão no Terreiro da Gomeia (Baixada). Favela desce pro calçadão de Copacabana. Sol que enlouquece igual sertão imanente, não transcendente.


    CINEMA CONTEMPORÂNEO:

    Kleber Mendonça Filho + Neon: filme pensado para Cannes e Oscar. Karim Aïnouz: financiamento estrangeiro, experimentação formal. Cláudio Assis: produção artesanal, sem capital externo. Ainda Estou Aqui e a dependência do circuito internacional.


    A crítica radical às relações do cinema com o mercado e o grande capital já estava no Cinema Marginal décadas antes da academia formular isso. Sganzerla rompe com a ideia de decadência pós-Cinema Novo.


    CINEASTAS E AUTORES DISCUTIDOS:

    Rogério Sganzerla, Helena Ignez, Glauber Rocha, Júlio Bressane, Ismail Xavier, Ivana Bentes, Kleber Mendonça Filho, Karim Aïnouz, Cláudio Assis, Eduardo Coutinho


    FILMES MENCIONADOS:

    O Bandido da Luz Vermelha, A Mulher de Todos, Sem Essa Aranha, Copacabana Mon Amour, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Ainda Estou Aqui


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    Este conteúdo faz parte do curso Estética da Dependência do grupo de estudos CINEPOL, que revisa os ideários do Cinema Novo e suas relações com música, política e mercado.


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    Podcast O Abertinho - Ler é um ato subversivo

    Apresentação: Rogério Mattos

    Produção: A Engenhoca - Escola de Humanidades

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    11 min
  • A Verdade do Cinema: Vertov, Jean Rouch e Eduardo Coutinho
    Dec 26 2025

    "Cinema verdade não é a verdade no cinema, é a verdade do cinema." Esta frase de Jean Rouch, inspirada em Vertov, define uma genealogia fundamental do documentário contemporâneo que passa por Eduardo Coutinho.Mas o que isso significa? Como a câmera produz sua própria verdade?Nesta gravação, analiso três momentos dessa linhagem:🔍 VERTOV (KINOPRAVDA/KINOGLAZ):- Câmera escondida para captar o "novo homem soviético"- Cinema sintético, artificial, não-orgânico- Verdade produzida pela MONTAGEM- Kinoglaz = câmera-olho, olho sintético- Sistemas materiais em perpétua interação (Deleuze)🔍 JEAN ROUCH (CINÉMA VÉRITÉ):- Câmera VISÍVEL produz uma verdade- A pessoa reage à presença da câmera- Verdade do cinema, não verdade no cinema- Cinema etnográfico: verdade produzida no campo🔍 EDUARDO COUTINHO (FABULAÇÃO):- "Não me conta agora, deixa acontecer na filmagem"- Imprevistos como método (Cabra Marcado)- Do modelo sociológico à fabulação pura- Santo Forte: câmera digital = tempo para fabular- Jogo de Cena: experimentação da experimentação- As Canções: puro ato de fala, contextualização cortada- Personagens como intercessores (Deleuze)A diferença fundamental:- VERTOV: Verdade na montagem, câmera escondida- ROUCH: Verdade no ato de filmar, câmera presente- COUTINHO: Verdade na fabulação, personagens mentem (e não importa)Conexões com Brecht, Walter Benjamin (inconsciente ótico), Deleuze (imagem-tempo, intercessores), e a evolução do documentário brasileiro.📚 AUTORES/CINEASTAS DISCUTIDOS:Dziga Vertov • Jean Rouch • Eduardo Coutinho • Bertolt Brecht • Sergei Eisenstein • Gilles Deleuze • Walter Benjamin • Consuelo Lins---🔗 CINE-POESIA: https://form.respondi.app/g9VYWlAO#Vertov #JeanRouch #EduardoCoutinho #CinemaVerdade #Kinopravda #Kinoglaz #DocumentarioBrasileiro #CinemaEtnografico #Fabulacao #Deleuze #TeoriaDoCinema

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    16 min
  • Caetano Veloso e Sganzerla: a história por trás de "Qualquer coisa"
    Dec 24 2025

    Muita gente canta "Qualquer Coisa" do Caetano Veloso. Quase ninguém sabe que ela nasceu de um filme.Em 1970, Sganzerla, Bressane e Helena Ignez fundam a Belair — produtora clandestina que durou 4 meses e fez uns 10 filmes. Quando o cerco aperta, vão pro exílio. Em Londres, encontram Caetano e Gil. Assistem juntos a "Sem Essa Aranha". Caetano surta. Quando se recupera, escreve a música."Não se avexe não, baião de dois, deixe de manha, pois sem essa aranha…"É uma das referências direta ao filme, que na verdade canta o filme todo e a reação de Caetano diante dele. E os "berros pelo aterro" são os gritos da Maria Gladys — "tô com fome!", "é preciso pecar em dobro!" — que interrompem as cenas o tempo todo.Nesta gravação, falo sobre a cena que ficou conhecida como "os 5 minutos mais belos do cinema brasileiro": Luiz Gonzaga nos fundos do bordel, como se o Nordeste inteiro emergisse ali. A câmera não subordina o Gonzaga — é ele que puxa a câmera, é o ímã magnético. Helena Ignez invade, beija a testa dele, coroa o rei do baião.Isso é linguagem de poesia. É narrativa descolonizadora.🎓 Comunidade: https://ead.aengenhoca.com/narrativadescolonizadora#CaetanoVeloso #QualquerCoisa #RogérioSganzerla #SemEssaAranha #Belair #LuizGonzaga #CinemaMarginal #HelenaIgnez #JúlioBressane #MariaGladys #LinguagemDePoesia #CinemaBrasileiro

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    15 min
  • O Narrador: Walter Benjamin e a morte da experiência
    Dec 22 2025

    "A arte de narrar está em extinção." — Walter Benjamin, O Narrador (1936)Nesta gravação, atravesso o ensaio clássico de Walter Benjamin sobre a crise da narração e da experiência. Por que não conseguimos mais transmitir o que vivemos? Por que o romance isola em vez de criar laços?Benjamin vai buscar nos contistas como Leskov a figura do narrador tradicional — aquele que opera pela redundância, pela repetição, não pelos ganchos. O moribundo, o viajante, o artesão: figuras que tinham autoridade para contar porque estavam próximas da morte e da vida ao mesmo tempo.A partir daí, conecto com o que viemos discutindo nos vídeos anteriores: a consciência catastrófica do atraso em Antônio Cândido e Silviano Santiago, os pré-modernistas (Lima Barreto, Euclides da Cunha) como mais modernos que os modernistas, e as lutas pela memória no Brasil — do tombamento do DOPS às disputas pelos lugares de memória.🔍 NESTE VÍDEO:- A crise da narração e da experiência em Walter Benjamin- Lukács e a decadência do romance- Leskov e a figura aurática do contador de histórias- A morte como sanção do narrador- Por que os pré-modernistas são mais modernos que os modernistas- Lutas pela memória: história em migalhas ou história como luta?- Próximo vídeo: Sganzerla e Caetano📚 Referências: Walter Benjamin, Lukács, Leskov, Antônio Cândido, Silviano Santiago, Lima Barreto, Euclides da Cunha, François Dosse, Deleuze🎬 Este vídeo faz parte de uma série: Said → Cândido/Silviano → Foucault/Bataille → Benjamin📝 Substack: oabertinho.substack.com📷 Instagram: @oabertinho🎓 A Engenhoca: comunidade.aengenhoca.com#WalterBenjamin #ONarrador #CriseDaNarração #CriseDaExperiência #LimaBarreto #EuclidesdaCunha #AntonioCandido #SilvianoSantiago #PreModernismo #MemóriaTraumática

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    26 min
  • Foucault e Bataille: transgressão, limite e o espaço vazio da Literatura
    Dec 20 2025

    "A noite viva se dissipa na claridade da morte." — Foucault, O Nascimento da ClínicaNesta gravação, atravesso três textos de Michel Foucault para entender como a linguagem moderna rompeu com o mundo ordenado da representação clássica: O Nascimento da Clínica, o Prefácio à Transgressão (sobre Georges Bataille) e Isto Não É Um Cachimbo (sobre René Magritte).A transgressão não é simplesmente violar uma lei — ela acontece onde não há mais interditos claros, onde o espaço do sacrifício foi esvaziado. É o que Bataille chamava de "literatura e o mal": criar limites para rompê-los, num jogo infinito.🔍 VOCÊ VAI ENTENDER:- Por que a linguagem médica mudou radicalmente em poucas décadas (de Pomme a Bayle)- O "espaço vazio" onde a transgressão acontece segundo Foucault/Bataille- Como Velázquez em "Las Meninas" esvazia o lugar absoluto do soberano- O que Magritte revela sobre a crise da representação- A conexão Foucault-Deleuze via Bataille e BlanchotReferências: Michel Foucault, Georges Bataille, Maurice Blanchot, René Magritte, Diego Velázquez📚 Textos abordados:- O Nascimento da Clínica (Foucault)- Prefácio à Transgressão (Foucault sobre Bataille)- Isto Não É Um Cachimbo (Foucault sobre Magritte)- As Palavras e as Coisas (Foucault)- A Literatura e o Mal (Bataille)📝 Textos: oabertinho.substack.com🎓 Minha escola: https://ead.aengenhoca.com/canoneliterario#Foucault #Bataille #Transgressão #Blanchot #Magritte #AsMenuinas #Velázquez #Representação #FilosofiaContemporânea #TeoriaCrítica #LiteraturaEMal #PósEstruturalismo

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    23 min