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A Semana na Imprensa

A Semana na Imprensa

Di: RFI Brasil
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Uma leitura dos assuntos que mais interessaram as revistas semanais da França. Os destaques da atualidade do ponto de vista das principais publicações do país.

France Médias Monde
Politica e governo
  • Avanço da extrema direita impulsiona novos movimentos antifascistas na Europa, diz especialista
    Feb 21 2026

    O aumento da violência política e a formação de movimentos de esquerda radical na Europa se intensificaram após a morte de um jovem militante ultranacionalista em Lyon, no centro-leste da França. As tensões políticas têm levado governos a adotar novas medidas de segurança, destacam as revistas semanais francesas desta semana.

    Quentin Deranque, católico integrista e ultranacionalista de 23 anos, morreu no último sábado (14) após um confronto com um grupo rival. Os suspeitos — oito homens e três mulheres — estão sendo investigados por homicídio doloso, violência agravada e associação criminosa. Eles pertencem ou são próximos do movimento antifascista La Jeune Garde, fundado pelo deputado do partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI), Raphaël Arnault.

    A revista francesa Nouvel Obs traz uma entrevista com o jornalista e escritor Sébastien Bourdon, autor do livro Une vie de lutte plutôt qu’une minute de silence. Enquête sur les antifas (Uma vida de luta, em vez de um minuto de silêncio. Investigação sobre os antifascistas, em tradução livre).

    O autor explica que o La Jeune Garde surgiu em 2018 em Lyon, cidade onde a extrema direita radical se implantou e ganhou força nos últimos vinte anos. Segundo ele, embora tenha nascido como reação ao ultranacionalismo, essa corrente antifascista tende a não limitar seu combate à extrema direita, atuando também contra a violência policial, em defesa de pessoas exiladas e contra a islamofobia.

    Para Bourdon, a recente dissolução de movimentos de extrema direita na França levou seus membros a se unirem para realizar ações violentas, muitas delas em confrontos diretos com antifascistas. Ainda segundo ele, o recurso à violência é raro no movimento, que se diferencia do militante “clássico” justamente por “assumir a possibilidade de recorrer à violência”.

    Segundo o jornalista, grande parte do trabalho se concentra em manifestações e na distribuição de panfletos. No caso da extrema direita, a violência também aparece em agressões racistas e homofóbicas, além de ameaças de atentados terroristas.

    Aumento de tensões políticas na Itália

    A revista L’Express destaca que Roma também enfrenta uma onda de violência política, que levou o governo de Giorgia Meloni a adotar medidas inéditas. Após uma grande manifestação em Turim contra o fechamento de um centro ligado ao movimento anarquista, em 31 de janeiro, confrontos violentos deixaram dezenas de policiais feridos, gerando forte repercussão nacional.

    Segundo dados da Europol, 18 dos 21 ataques classificados como terrorismo de esquerda ou anarquista na União Europeia em 2024 ocorreram na Itália. Diante desse cenário, o governo italiano reforçou seu discurso de segurança pública, e lembrou o risco de um retorno aos “anos de chumbo”, período marcado por violência política extrema no país.

    Como resposta, anunciou um decreto-lei com medidas mais rigorosas, incluindo maior proteção às forças policiais, punições mais duras para a violência política e novas regras voltadas a grupos juvenis, como restrições à venda de facas para menores e multas para os pais.

    Uma das medidas mais controversas permitiria à polícia deter preventivamente, por até 12 horas, pessoas suspeitas de causar distúrbios antes de manifestações. Especialistas alertam que essa proposta pode ser considerada inconstitucional e violar direitos fundamentais, já que prevê restrição de liberdade sem que um crime tenha sido de fato cometido. O texto destaca que iniciativas desse tipo refletem uma tendência mais ampla na Europa de ampliar políticas de segurança diante do aumento das tensões políticas.

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  • Caso Epstein entra em fase de 'chantagem política', diz revista francesa
    Feb 14 2026

    As revistas semanais na França continuam a dar destaque ao escândalo Epstein, o financista americano que aliciava menores de idade para encontros sexuais e grandes festas com personalidades internacionais, políticos e membros da realeza europeia. A divulgação de mais uma parte dos arquivos pela Justiça dos Estados Unidos revela a amplitude de contatos e rede de favores forjada pelo criminoso sexual que foi encontrado morto em uma prisão de Nova York, em 2019.

    Segundo a revista Le Point, o caso entrou em uma fase de chantagem política liderada por Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein, que, de sua cela no Texas, oferece revelar a "verdade" sobre o envolvimento de figuras como Donald Trump e Bill Clinton em troca de um perdão presidencial.

    A publicação detalha a queda de ícones franceses, como o ex-ministro Jack Lang e sua filha Caroline, investigados por "lavagem de fraude fiscal agravada" devido a vínculos financeiros com Epstein.

    Além disso, a revista explora o impacto devastador no Reino Unido, onde a proximidade do ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, o diplomata trabalhista Peter Mandelson com o bilionário ameaça o governo do primeiro-ministro, Keir Starmer, e o príncipe Andrew permanece como uma figura central e embaraçosa para a monarquia.

    O semanário também analisa como o escândalo alimenta uma "epidemia de credulidade" e teorias conspiratórias que veem na rede de Epstein uma prova da "traição das elites" ocidentais.

    Instrumento de Trump

    Já a revista L'Obs foca na instrumentalização política do caso pelo presidente americano, Donald Trump, que utiliza os documentos desclassificados para desviar a atenção de suas próprias 38.000 menções nos arquivos e atacar figuras do campo democrata, como Bill Clinton, Bill Gates e Larry Summers.

    A análise destaca o paradoxo de Trump permanecer "de pé" enquanto a elite progressista é bombardeada por revelações, muitas vezes minuciosamente selecionadas pela sua administração para poupar aliados.

    A revista traz ainda um alerta sobre o ressurgimento de fantasmas antissemitas, onde o fato de Epstein ser judeu é usado para reativar mitos seculares de "concluiu judeu mundial" e "crimes rituais", obscurecendo os mecanismos sociais reais que permitiram a impunidade do predador.

    Conexão russa

    Por fim, a revista L’Express dedica-se a investigar a "conexão russa" de Epstein, sugerindo que ele pode ter atuado como um agente de influência de Moscou ou, no mínimo, um facilitador para o Kremlin.

    Segundo a publicação, Epstein utilizou sua expertise em paraísos fiscais para ajudar oligarcas russos a contornar sanções ocidentais e pode ter se inspirado nas técnicas de kompromat do FSB para controlar seu próprio círculo de influência.

    Para os estrategistas russos, a exposição da "podridão" das elites ocidentais funciona como uma "arma nuclear" psicológica, servindo para desacreditar as democracias liberais e promover a imagem da Rússia como defensora de "valores tradicionais" contra um "Ocidente satânico".

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  • Novos documentos do caso Epstein causam ‘terremoto’ no governo Trump
    Feb 7 2026
    Os Estados Unidos dominam as páginas das principais revistas francesas nesta semana. As publicações semanais se concentram em três principais assuntos: os novos documentos do caso do financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein, as truculentas operações dos agentes federais do ICE e a parceria abalada entre os serviços de Inteligência europeus e americanos. A revista Le Point aborda os vínculos do presidente americano, Donald Trump, com Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019. "O caso que faz os Estados Unidos tremerem" é a manchete na capa estampada com uma antiga foto de Epstein ao lado de Trump. O pesadelo recomeçou há pouco mais de uma semana, quando o procurador-geral adjunto, Todd Blanche, anunciou a publicação de três milhões de novos documentos relativos ao caso Epstein, entre eles, dois mil vídeos e 180 mil fotografias. No entanto, todos os elementos de pornografia infantil, os conteúdos ligados a investigações federais em andamento e os documentos protegidos por sigilo profissional foram retirados. Ainda assim, Blanche garante que nenhum elemento que pudesse ter relação com Trump foi ocultado por seus serviços. "Anomalia significativa e sintomática da era Trump", diz a Le Point, que lembra que antes de ingressar no Departamento de Justiça, em 2024, o procurador-geral adjunto era advogado do presidente americano. Durante muito tempo próximo de Jeffrey Epstein, o líder republicano, nega há anos ter tido conhecimento das ações pedófilas de Epstein, "contra toda coerência", reitera a matéria. Em uma nova tentativa de abafar o caso, o presidente americano sugeriu na terça-feira (3) virar a página do escândalo. “Não saiu nada sobre mim, exceto que foi uma conspiração contra mim, literalmente, por parte de Epstein e outras pessoas. Mas acho que já está na hora de o país, talvez, pensar em outra coisa, como a saúde, ou algo que importe às pessoas”, disse. Segundo o jornal New York Times, o nome de Trump, sua residência em Mar‑a‑Lago, na Flórida, e outras referências ao líder republicano são mencionados 38 mil vezes nos arquivos do Departamento de Justiça divulgados em 30 de janeiro. Mas, o bilionário alega que a nova leva de documentos “o absolve de qualquer irregularidade”, insistindo que sua relação com Epstein terminou há mais de 20 anos. Minneapolis no olho do furacão Além do "terremoto" do caso Epstein, os Estados Unidos são palco de um outro fenônemo: a revolta contra as violentas operações da polícia de imigração. A revista Le Nouvel Obs publica uma reportagem de sua enviada especial a Minneapolis, no "olho do furacão" após a morte de dois cidadãos em janeiro que enfrentaram membros do ICE, "o símbolo do inexorável mergulho dos Estados Unidos no autoritarismo". Com a perseguição dos imigrantes, muitos deles com status legal, a política de imigração de Trump "semeia o terror" e se espalha pelas grandes cidades do país com prisões cruéis e arbitrárias. De acordo com a revista, foi a morte a tiros de Renee Nicole Good e Alex Pretti que revelaram ao mundo "a selvageria e o amadorismo desta polícia fora da lei". Entrevistados pela reportagem da Nouvel Obs, especialistas em Direito destacam a ilegalidade destas operações. "O governo ultrapassa os limites do Estado de Direito", diz Julia Decker, diretora de política do Centro dos Diretos dos Imigrantes do Minnesota. Para a revista, a confusão que Trump faz entre imigração e terrorismo legitima seus métodos criminosos. Parceria abalada entre EUA e Europa "CIA: os espiões de Trump que preocupam a Europa" é a manchete da revista L'Express desta semana. A publicação questiona se com o líder republicano embaralhando a geopolítica, os países europeus manterão sua cooperação com os Estados Unidos na área da Inteligência. "Como viver sem a CIA?", questiona a revista, ressaltando a dependência europeia dos serviços secretos americanos. Segundo a L'Express, até recentemente, "espiões americanos abasteciam amplamente a Direção de Inteligência Militar francesa". A semanal apurou que operações conjuntas entre os Estados Unidos e a Europa continuam sendo realizadas atualmente. A França e os Estados Unidos chegam até mesmo a compartilhar nomes de espiões que arriscam suas vidas em países perigosos em nome da segurança, garante. Mas, diante do conchavo entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, além das ambições territoriais americanas na Groenlândia, "a Europa terá de acabar com a parceria?", pergunta a L'Express. O questionamento foi levantado pela revista a cerca de 40 responsáveis dos serviços de Inteligência de países europeus e a resposta foi unânime: a Europa precisa aprender a trabalhar sem a CIA e considerar Washington como "um antigo aliado" ou até como "um potencial inimigo".
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