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Caso Epstein entra em fase de 'chantagem política', diz revista francesa

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As revistas semanais na França continuam a dar destaque ao escândalo Epstein, o financista americano que aliciava menores de idade para encontros sexuais e grandes festas com personalidades internacionais, políticos e membros da realeza europeia. A divulgação de mais uma parte dos arquivos pela Justiça dos Estados Unidos revela a amplitude de contatos e rede de favores forjada pelo criminoso sexual que foi encontrado morto em uma prisão de Nova York, em 2019.

Segundo a revista Le Point, o caso entrou em uma fase de chantagem política liderada por Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein, que, de sua cela no Texas, oferece revelar a "verdade" sobre o envolvimento de figuras como Donald Trump e Bill Clinton em troca de um perdão presidencial.

A publicação detalha a queda de ícones franceses, como o ex-ministro Jack Lang e sua filha Caroline, investigados por "lavagem de fraude fiscal agravada" devido a vínculos financeiros com Epstein.

Além disso, a revista explora o impacto devastador no Reino Unido, onde a proximidade do ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, o diplomata trabalhista Peter Mandelson com o bilionário ameaça o governo do primeiro-ministro, Keir Starmer, e o príncipe Andrew permanece como uma figura central e embaraçosa para a monarquia.

O semanário também analisa como o escândalo alimenta uma "epidemia de credulidade" e teorias conspiratórias que veem na rede de Epstein uma prova da "traição das elites" ocidentais.

Instrumento de Trump

Já a revista L'Obs foca na instrumentalização política do caso pelo presidente americano, Donald Trump, que utiliza os documentos desclassificados para desviar a atenção de suas próprias 38.000 menções nos arquivos e atacar figuras do campo democrata, como Bill Clinton, Bill Gates e Larry Summers.

A análise destaca o paradoxo de Trump permanecer "de pé" enquanto a elite progressista é bombardeada por revelações, muitas vezes minuciosamente selecionadas pela sua administração para poupar aliados.

A revista traz ainda um alerta sobre o ressurgimento de fantasmas antissemitas, onde o fato de Epstein ser judeu é usado para reativar mitos seculares de "concluiu judeu mundial" e "crimes rituais", obscurecendo os mecanismos sociais reais que permitiram a impunidade do predador.

Conexão russa

Por fim, a revista L’Express dedica-se a investigar a "conexão russa" de Epstein, sugerindo que ele pode ter atuado como um agente de influência de Moscou ou, no mínimo, um facilitador para o Kremlin.

Segundo a publicação, Epstein utilizou sua expertise em paraísos fiscais para ajudar oligarcas russos a contornar sanções ocidentais e pode ter se inspirado nas técnicas de kompromat do FSB para controlar seu próprio círculo de influência.

Para os estrategistas russos, a exposição da "podridão" das elites ocidentais funciona como uma "arma nuclear" psicológica, servindo para desacreditar as democracias liberais e promover a imagem da Rússia como defensora de "valores tradicionais" contra um "Ocidente satânico".

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