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TRANSFORMADOS PELA DISCIPLINA

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Mensagem 293 – Transformados pela disciplina

Leia Salmos 118.10-18.
¹⁰Todas as nações me cercaram, mas eu as destruí em nome do Senhor. ¹¹Cercaram-me por todos os lados, mas eu as destruí em nome do Senhor. ¹²Cercaram-me como abelhas, mas queimaram como fogo em espinhos; pois as destruí em nome do Senhor. ¹³Empurraram-me com força para me derrubar, mas o Senhor me ajudou. ¹⁴O Senhor é minha força e meu cântico; ele é minha salvação. ¹⁵Nas moradas dos justos, há um alegre cântico de vitória; a mão direita do Senhor age com poder. ¹⁶A mão direita do Senhor é exaltada, a mão direita do Senhor age com poder. ¹⁷Não morrerei; pelo contrário, viverei e anunciarei as obras do Senhor. ¹⁸O Senhor me castigou duramente, mas não me entregou à morte.

Nota da equipe: A batalha que o salmista enfrentou foi mais encarniçada do que parece à primeira vista. Três vezes ele declara que as nações o cercaram (vv. 10-12); na terceira, compara-se a um homem rodeado por abelhas, sem uma brecha por onde escapar. Depois confessa o pior momento: “empurraram-me com força para me derrubar” (v. 13). Longe de um sobressalto passageiro, a cena é de um cerco, um ataque feroz e, por fim, um empurrão à beira da queda. A cada investida, porém, responde o mesmo refrão, “eu as destruí em nome do Senhor”, e os inimigos “queimaram como fogo em espinhos” (v. 12), fogo que estala com fúria e logo se apaga.

Quando enfim vem a vitória, ele não a atribui ao próprio mérito. “O Senhor é minha força e meu cântico; ele é minha salvação” (v. 14), uma frase tirada diretamente do canto que Israel entoou à beira do mar ao sair do Egito (Êx 15.2). O salmista dá a entender que o seu cerco foi um novo êxodo em miniatura, e que a mão que o salvou foi a mesma que abrira as águas do Mar Vermelho. Três vezes ele aponta para a destra do Senhor, não para a sua própria espada (vv. 15-16), como já fazia aquele canto (Êx 15.6, 12). A batalha terminou em triunfo, mas o triunfo não pertencia ao guerreiro, e sim à mão poderosa do Senhor.

Depois de tanto júbilo, o v. 18 surpreende por estar, aparentemente, deslocado do restante do poema. Ao olhar para trás, o salmista não descreve a provação como um acidente nem como pura maldade dos inimigos. Ele a chama de disciplina: “O Senhor me castigou duramente, mas não me entregou à morte”. No hebraico, o v. 18 repete a forma enfática do v. 13, “empurraram-me com força”, e o golpe que ali vinha dos inimigos passa a ser atribuído ao Senhor. Repare no equilíbrio exato dessa frase. “Duramente” — a disciplina de Deus feriu profundamente, deixando marca. “Mas não me entregou à morte” — ela tem um limite que a mão de Deus nunca ultrapassa. É esse limite que sustenta a confiança do versículo anterior: “Não morrerei; pelo contrário, viverei e anunciarei as obras do Senhor” (v. 17). Deus poderia ter poupado o Seu servo do combate inteiro. Escolheu, em vez disso, ensiná-lo dentro dele.

Considere a sua própria vida. Quase sempre oramos pela saída, pela vitória sobre os inimigos, mas com frequência Deus adia o livramento e nos conserva no meio do aperto um pouco mais do que gostaríamos, porque tem em vista um propósito que a saída rápida não produziria (Hb 12.10-11). Uma fé que só conhece resgates fáceis permanece rasa. A que foi cercada e não caiu aprende que o Senhor é a sua força, e não aprende isso de outro modo. Quando a batalha termina, a pergunta que fica não é “eu venci?”, e sim “quem me tornei dentro dela?”. Os troféus que ganhamos desbotam na estante, enquanto o caráter formado no combate nos prepara para a batalha seguinte.

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