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Di: RFI Brasil
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Entrevistas e reportagens com especialistas sobre as novas pesquisas e descobertas na área da saúde, controle de epidemias e políticas sanitárias.

France Médias Monde
Scienza
  • Vacinas contra gripe podem ser mais eficazes contra transmissão, mostra novo estudo
    Feb 10 2026

    Uma pesquisa recente publicada na revista Nature Communication, de coautoria do cientista francês Simon Cauchemez, do Instituto Pasteur, em Paris, mostrou que é possível desenvolver no futuro vacinas contra a gripe capazes de reduzir a propagação do vírus.

    Taíssa Stivanin, da RFI em Paris

    “O vírus da gripe muta sem parar, evolui e muda todos os anos. Isso faz com que nosso sistema imunológico tenha dificuldade em reconhecê-lo corretamente. Quando somos vacinados, estamos protegidos contra o vírus que está circulando naquele ano, mas esse vírus vai evoluindo progressivamente”, explica o pesquisador em epidemiologia, que coordena a Unidade de Modelagem Matemática de Doenças Contagiosas do Instituto Pasteur.

    “De um ano para outro, há vários tipos de vírus da gripe em circulação e diversos alvos terapêuticos possíveis. Às vezes a escolha não é certa. Por isso é difícil desenvolver vacinas que funcionam bem contra todos os vírus gripais que podem nos afetar”, completa.

    O estudo do Instituto Pasteur foi realizado em parceria com a Universidade de Michigan, nos EUA, e financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH). De acordo com Simon Cauchemez, a obtenção de imunizantes mais eficientes passa pelo “tipo de resposta imunitária que estamos buscando com a vacina”, que deve ser capaz de identificar diferentes proteínas do vírus para gerar anticorpos.

    O vírus da gripe possui duas principais proteínas na superfície: a hemaglutinina (HA), uma glicoproteína que permite que ele se prenda às células, e a neuraminidase (NA), que permite ao micro-organismo se liberar da membrana da célula hospedeira para se replicar.

    A pesquisa se concentrou na ação da NA e mostrou que os anticorpos que o corpo desenvolve contra essa proteína podem não só diminuir o risco de contágio, mas também de transmissão.

    “Na verdade, dois tipos de impacto nos interessam. O primeiro é: quando temos anticorpos contra uma dessas proteínas, ficamos menos propensos a sermos infectados pela gripe? Ou seja, estamos individualmente protegidos contra a gripe?", questiona. "Essa é uma questão fundamental, claro. Mas, mesmo que a gente acabe se contaminando, será que transmitimos menos a gripe para as pessoas ao nosso redor?”.

    Estudo analisou dados de 171 famílias

    De acordo com a pesquisa, seria necessário integrar anticorpos contra a NA nas vacinas. Para chegar a essa conclusão, o cientista francês analisou os dados obtidos pela equipe americana da Universidade de Michigan junto a 171 famílias nicaraguenses e seus 664 contatos, nos anos de 2014, 2016 e 2017.

    A maior parte dos participantes nunca tinha sido vacinada contra a gripe, o que permitiu aos pesquisadores observar como ocorria a transmissão após a infecção. Os cientistas identificaram quais anticorpos eram mais eficazes para limitar a propagação, após realizar análises de sangue, testes virológicos e modelagens matemáticas.

    “Para cada indivíduo do domicílio, conseguimos ver que tipo de anticorpos ele tinha no início da epidemia e observar em que medida, graças a esse acompanhamento, esses anticorpos protegeram ou não a pessoa da infecção e, caso tenham sido contaminadas, protegeram ou não seus contatos.”

    De acordo com o cientista, os dados são raros porque mostram em detalhes como os anticorpos afetam as diferentes proteínas do vírus e de que forma influenciam a infecção e a transmissão.

    “O que vemos é que não temos apenas uma medida dos anticorpos contra a gripe de forma geral, mas realmente uma medida que foca em diferentes partes do vírus. Assim, podemos quantificar o efeito de cada um desses anticorpos sobre o risco de infecção e sobre o risco de transmissão. A longo prazo, o objetivo é, obviamente, orientar os esforços para desenvolver vacinas contra a gripe mais eficazes”, conclui o cientista francês.

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  • Ferimentos nas mãos não devem ser banalizados; cirurgião explica riscos
    Jan 27 2026

    Facas de cozinha, trabalhos manuais, queimaduras ou uma porta que fecha repentinamente são algumas das situações que podem desencadear acidentes graves com as mãos, muitos deles dentro de casa.

    Os acidentes nas mãos nunca devem ser banalizados, alerta o cirurgião plástico Patrick Knipper, que atua no Hospital Europeu Georges Pompidou, em Paris. Alguns ferimentos exigem cirurgias complexas e podem até provocar a perda de alguns movimentos. Em casos mais graves, o membro deve ser amputado.

    Segundo ele, a maioria dos acidentes com as mãos acontecia em casa ou no local de trabalho, mas hoje há uma maior conscientização sobre os riscos profissionais.

    “As máquinas agrícolas ou prensas, por exemplo, eram ferramentas usadas com pouca proteção e provocavam muitos ferimentos nas mãos”, diz. “A prevenção é mais eficaz em relação à proteção das máquinas e à educação dos pacientes. Como cirurgião, constato uma diminuição desses acidentes”, afirma. "Hoje, os pacientes que buscam atendimento no pronto-socorro sofrem principalmente acidentes domésticos", ressalta.

    Muito cuidado

    Segundo o cirurgião, de modo geral, todo ferimento nas mãos, por menor que seja, exige cuidado. “Costumamos dizer que não existe ferimento banal nas mãos. Desconfiamos muito mais da mordida de um gato, com seus pequenos dentes afiados, que pode inocular alguma bactéria profundamente, do que, por exemplo, de uma grande lesão.”

    Os pacientes costumam minimizar esse tipo de situação, que muitas vezes é grave. “O gato, por exemplo, com seu dentinho, vai causar um ferimento. Isso, para os cirurgiões, é uma emergência, porque pode causar graves infecções.”

    Outro acidente muito comum em crianças, mas que ocorre também com adultos é o dedo preso no batente da porta, que pode ser esmagado. Em alguns casos, é necessário realizar uma cirurgia reconstrutiva. A reeducação para recuperar os movimentos das mãos pode ser complexa, explica o especialista francês.

    As reformas em casa, muitas vezes feitas por amadores, também são propícias a esse tipo de incidente. Luvas ou outros tipos de proteção para diminuir riscos devem ser utilizados, mas os lapsos de atenção são o maior problema e estão por trás de boa parte dos ferimentos.

    Primeiros socorros

    E o que se deve fazer quando o acidente acontece? Lavar com água e sabão e cobrir o ferimento com um pedaço de pano limpo é o primeiro passo para evitar uma infecção. O cirurgião francês lembra que o antisséptico deve ser usado apenas se o ferimento inflamar.

    Outro problema potencialmente grave é a fleuma ou unheiro. Trata-se de uma infecção bacteriana que atinge os tendões e pode levar até à amputação parcial de um membro em casos mais graves. Ela pode ser causada por uma farpa de madeira que entrou no dedo, por exemplo, ou simplesmente por uma cutícula encravada.

    “Em cerca de duas horas, a infecção atinge as mãos e o antebraço.” Esta é uma das muitas situações de emergência que não devem ser menosprezadas pelos pacientes. “A mão é um prolongamento do cérebro. Uma amputação da mão ou das mãos tem consequências sociais e psicológicas”, conclui o cirurgião francês.

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  • Cientistas franceses desenvolvem vacina para evitar reações alérgicas graves
    Jan 13 2026
    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 50% da população mundial terá algum tipo de alergia até 2050. Algumas delas geram reações graves e podem provocar um choque anafilático, potencialmente fatal. Para preveni-lo, uma equipe de cientistas franceses testou, com sucesso, uma vacina terapêutica contra as alergias. O resultado foi publicado recentemente na revista científica Sciences Translacional Medicine. Taíssa Stivanin, da RFI em Paris O estudo durou sete anos e foi realizado por uma equipe de cientistas franceses. De acordo com o cientista Pierre Bruhns, do Instituto Pasteur em Paris, que conduziu a pesquisa ao lado do pesquisador Laurent Reber, as alergias respiratórias ou alimentares são desencadeadas por um mecanismo de “reconhecimento” entre alérgenos e proteínas presentes na superfície das células, conhecidas como IgE, ou imunoglobulinas E. Esses anticorpos são produzidos por células do sistema imunológico chamadas plasmócitos. A maior parte dos IgE se fixa nos mastócitos — células do sistema de defesa presentes na pele — e nos basófilos, um tipo de leucócito, ou glóbulo branco, existente no sangue. A reação entre os alérgenos e os IgE provoca as alergias, que podem ser localizadas ou generalizadas, gerando um choque anafilático. “A vacina possibilita ao indivíduo, ou ao organismo que estamos imunizando, a criação de anticorpos dirigidos contra as IgE e o bloqueio dessas IgE, antes que elas consigam se fixar nos mastócitos ou basófilos. Esse é o princípio da vacinação”, diz. “Então, se o paciente é alérgico a várias substâncias, a vacina poderá protegê-lo de vários alérgenos de uma vez.” Atualmente, o único tratamento que previne as reações graves é o omalizumabe, que fornece ao paciente anticorpos para bloquear as IgE. O medicamento existe há 20 anos e é injetado no hospital. O efeito é longo, garantindo o conforto do paciente. Mas a 'logística' é complexa, sobretudo para pessoas que vivem longe dos estabelecimentos. “Em vez de fazer as pessoas irem ao hospital para tomar uma injeção desse anticorpo, propomos vaciná-las com duas ou três doses e, após dois ou três anos — talvez até mais — elas vão ficar livre do medicamento e continuarão protegidas das alergias.” Sem prevenção e, em caso de choque anafilático, o único tratamento possível contra a reação alérgica grave é a injeção de adrenalina, lembra o pesquisador do Instituto Pasteur. “O choque anafilático provoca uma parada cardiorrespiratória, e a adrenalina faz com que o pulmão volte a funcionar normalmente. Ela funciona muito bem quando é administrada precocemente, mas, se for dada tarde demais, o paciente pode sofrer uma alergia grave, até mortal”, ressalta. Terapia foi testada em camundongos No laboratório, durante os sete anos de pesquisa, a nova terapia foi testada em camundongos. “O camundongo é resistente ao desenvolvimento de alergias. O modelo que podemos utilizar em laboratório para que eles se tornem alérgicos não é, em regra geral, dependente da ação das imunoglobulinas E, como nos humanos”, explica Pierre Bruhns. A equipe precisou, então, adaptar o sistema imunológico dos animais para desencadear reações alérgicas semelhantes às que ocorrem em humanos e provar a eficácia da vacina terapêutica. “Injetamos IgE humanas diretamente nos camundongos para sensibilizá-los, como nos humanos. Em seguida, vacinamos os camundongos e injetamos os alérgenos, que vão interagir com as IgE. É como se estivéssemos imitando a reação alérgica no homem, sem que o camundongo precisasse produzir sua própria imunoglobulina E.” Nos animais, as vacinas forneceram proteção de 100% contra alergias durante um ano, o que equivale à metade da vida de um camundongo. A expectativa é que, no homem, essa proteção dure mais tempo — até dez anos —, algo que só poderá ser estabelecido após os ensaios clínicos. Mas, antes, será feita a análise da toxicologia da vacina e de seus possíveis efeitos colaterais, como exige a regulamentação europeia. Essa etapa será conduzida pela empresa Neovacs, que decidirá, em seguida, se é necessário validar o estudo em primatas. Só então o medicamento-candidato poderá ser testado no homem. A equipe também desenvolve, paralelamente, uma vacina que impedirá crises graves de asma. “De modo geral, a vacinação contra alergias respiratórias e alimentares está progredindo, e a gente faz o que pode para obter soluções clínicas. Esperamos obter as autorizações para realizar os testes em humanos e para a comercialização.”
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    7 min
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