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Radar econômico

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Di: RFI Brasil
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Entrevistas com economistas, analistas de mercado, investidores e políticos, para explicar e comentar questões econômicas internacionais. O papel do Brasil e dos países emergentes na economia mundial.

France Médias Monde
Politica e governo
  • Concorrentes em vários setores, Índia e Brasil tentam superar rivalidade para ampliar cooperação
    Feb 18 2026
    O governo do Brasil é recebido em visita de Estado à Índia nesta semana, após uma cúpula internacional sobre inteligência artificial realizada pelo país asiático. No cenário das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos ao resto do mundo e de alta dependência global da China, as duas potências emergentes buscam ampliar a cooperação e as parcerias comerciais bilaterais e no âmbito do Mercosul – mas têm pela frente obstáculos importantes a superar. Brasília e Nova Délhi são concorrentes em vários setores, principalmente no agronegócio (açúcar, arroz, carne bovina, derivados de soja, algodão), mas também na energia – ambos são grandes produtores de biocombustíveis –, além das indústrias química e farmacêutica. Em paralelo, os dois países buscam inserção nos mercados emergentes e em desenvolvimento na África e na Ásia. É neste contexto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro Narendra Modi tentarão encontrar pontos de convergência, na sequência da aproximação acelerada em 2025, quando o premiê indiano foi recebido em Brasília para uma visita de Estado. “Precisa fazer a ponte. A Índia está descobrindo o Brasil e eu acho que já sabe o potencial da América Latina. E o Brasil começou a explorar Índia”, nota Umesh Mukhi, professor-associado de Administração da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Quando eu converso com pessoas, percebo que há uma lacuna de conhecimento. Acho que o papel da academia para favorecer intercâmbio, promover conhecimento atualizado, é fundamental para moldar opiniões.” Hoje, os países são parceiros comerciais ainda pouco relevantes: a Índia é o 10° destino das exportações brasileiras, num total de US$ 6,9 bilhões em 2025. O Brasil é deficitário na balança comercial com o país asiático, mas estes números estão em ascensão. "Tivemos um crescimento significativo de 30% no fluxo de comércio de 2024 para 2025, mas isso é pouco, considerando o potencial", salienta o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana. Para impulsionar as trocas, a entidade inaugura um escritório no país, um mercado potencial de 1,4 bilhão de consumidores. A comitiva presidencial ilustra o novo peso que Brasília quer dar ao país: Lula chega a Nova Délhi acompanhado de cerca de 10 ministros e mais de 300 empresários. "A Apex entende que essa nova fase na relação Brasil-Índia começa com muita força a partir da viagem do presidente Lula. Com o primeiro-ministro Modi, eles vão construir uma história que vai gerar muitos recursos e possibilidades de cooperação e negócios", frisa Viana. Oportunidade para o desenvolvimento de tecnologias As oportunidades vão muito além do comércio de commodities e petróleo, salienta o especialista indiano: os serviços tecnológicos, financeiros e as áreas de defesa e aviação civil representam a possibilidade de impulso para o desenvolvimento e a inovação no Brasil. “A Índia já é uma potência tecnológica. Todas as empresas de tecnologia que fornecem serviços em outros países desenvolvidos estão aqui no Brasil, e a situação global está favorecendo esse investimento no Brasil”, explica. “Quando eu converso com empresários e executivos desses setores, brasileiros que trabalham dentro de empresas indianas, eles têm muita demanda por talento e não estão encontrando esses profissionais aqui no Brasil. Eles sempre procuram saber como o Brasil vai facilitar o intercâmbio de talentos – e, quanto mais talentos vierem, mais investimentos haverá no setor tecnológico”, diz Primeiro memorando sobre minerais críticos Por outro lado, é esperada a assinatura de um memorando de entendimento sobre minerais críticos, dos quais o Brasil detém as segundas maiores reservas do mundo. Será a primeira vez que o país estabelecerá com outra nação um acordo sobre esses minérios, estratégicos para a transição energética. “Foi uma iniciativa do Ministério de Minas e Energia, que segue a política brasileira de priorizar o tema e de manter o país aberto à cooperação internacional neste sentido, para trazer valor agregado à produção nacional”, detalhou Susan Kleebank, secretária do Itamaraty para a Ásia e o Pacífico, em briefing à imprensa. “Para que não apenas tenhamos o minério, mas possamos produzir e processar esse minério aqui, chegando a resultados para a nossa indústria e a nossa segurança nacional”, completou. Acordo Índia-Mercosul A viagem também será uma ocasião para o presidente discutir as oportunidades de expansão do comércio com os países do Mercosul. Desde 2009, está em vigor um Acordo de Preferências Tarifárias que reduz as taxas de importação entre a Índia e o bloco sul-americano para uma lista limitada de produtos, contemplando apenas 14% da pauta exportadora brasileira. “Com as mudanças no cenário ...
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  • 'Pejotização', benefícios: os próximos passos para a justiça fiscal no Brasil, segundo observatório
    Feb 11 2026
    A reforma fiscal de 2025 é um primeiro passo para reduzir as desigualdades tributárias no Brasil, mas muito resta a fazer para a justiça fiscal no país, avaliam economistas do recém‑criado Observatório Fiscal Internacional, em Paris. O centro de estudos, dirigido pelo economista francês Gabriel Zucman, concentra pesquisas em temas como tributação da riqueza, evasão fiscal e fluxos financeiros ilícitos. Lúcia Müzell, da RFI em Paris A instituição é a ampliação do Observatório Fiscal Europeu, sediado desde 2021 na Paris School of Economics (PSE). O Brasil atrai uma atenção especial dos pesquisadores, ao ter um dos sistemas tributários mais desiguais, “se não for o mais desigual entre as grandes economias”, segundo Zucman. “Esta situação precisa evoluir. Trata-se de um desafio econômico e político central para o Brasil, que acho que estará no foco da eleição presidencial”, disse, no lançamento da instituição, na última quinta-feira (5). Durante a presidência brasileira do G20, em 2024, o economista contribuiu para a elaboração da proposta de criação de um imposto global de 2% sobre a renda dos ultrarricos, que Brasília levou à mesa de negociações do fórum internacional. A declaração final do evento não incluiu o projeto, que atingiria cerca de 3 mil pessoas no mundo. Entretanto, o comunicado fez uma menção inédita à importância da tributação dos bilionários, uma vitória para os defensores do tributo. Para Zucman, o debate que se sucedeu não só no Brasil, como na França, Holanda, Espanha, África do Sul, Colômbia e o estado americano da Califórnia, mostra que os avanços para uma maior justiça fiscal são uma questão de tempo. “Por todo o lugar, estamos vendo iniciativas para encontrar uma solução para o problema atual, de que as grandes fortunas conseguem se exonerar da solidariedade nacional. Acho que daqui a 20 ou 30 anos, retrospectivamente, veremos o período atual, entre 2024 e 2026, como o ponto de virada: o início de um movimento internacional pela taxação dos bilionários, das grandes fortunas, da mesma forma como houve um movimento internacional no início do século 20 para a criação do imposto de renda progressivo”, frisou. No Brasil, desigualdade ainda maior do que se pensava Em agosto passado, o Ministério da Fazenda apresentou um trabalho da equipe de Zucman em parceria com a Receita Federal sobre a desigualdade tributária no Brasil, ainda maior do que se imaginava. O 1% de brasileiros mais ricos concentram cerca de 27,4% de toda a renda no país, 7% a mais do que apontavam estudos anteriores. Além disso, a pesquisa concluiu que enquanto as classes médias e os trabalhadores no Brasil têm uma alíquota média de impostos de 42,5%, o topo da pirâmide de renda tem menos da metade, 20,6%. Apesar da reforma, que aumentou a faixa de isenção do imposto de renda para os mais pobres e criou um tributo inédito para o topo da riqueza no Brasil, as distorções continuam e a regressividade do imposto no Brasil é uma das mais elevadas do mundo, salienta Theo Palomo, autor principal da pesquisa. “Existem várias propostas, um debate público sobre como reduzir essa regressividade. Mas só é possível avaliar essas propostas quando você tem números de qual é a diferença de tributo que o bilionário está pagando em relação à classe média”, afirmou o doutorando na PSE. “O nosso estudo faz exatamente isso: ele consegue informar o debate e possibilitar uma discussão mais informada da realidade brasileira.” Benefícios fiscais para empresas Um dos focos das próximas pesquisas será avaliar a eficiência dos benefícios tributários, que fazem despencar a arrecadação das empresas, principalmente as grandes. “Existe muito benefício para a inovação, a tecnologia, o desenvolvimento regional. Então, uma pergunta fundamental é: esses benefícios estão cumprindo seu papel?”, disse. “Essa é uma questão superimportante, ainda mais nesse cenário de que o Brasil tem uma restrição orçamentária, e os benefícios tributários são gigantescos. As grandes empresas, como a gente mostra no nosso estudo, são controladas pela população mais rica, ou seja, esses benefícios, no fundo, beneficiam os mais ricos.” Os mecanismos de fuga de impostos também estão na mira do observatório. Um dos movimentos que a reforma fiscal tende a acelerar entre os ricos é o de reter os lucros nas empresas, em vez de distribui-los, e assim evitar a mordida do imposto de renda. “Tem uma discussão de áreas mais cinzentas do que seria evasão e otimização. É uma coisa que a gente está começando a estudar, por exemplo, a pejotização”, destaca Palomo. “A gente está querendo justamente avançar nessa agenda para entender exatamente a contribuição de cada um, não só em termos de orçamento, que é uma questão importantíssima, quanto do orçamento está sendo perdido por evasão fiscal, mas ...
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  • Brasil ganha espaço na indústria da guerra, em meio a demanda global em alta
    Feb 4 2026
    Sem grandes alardes, um setor industrial brasileiro tem tido um desempenho excepcional desde 2024: o de defesa e segurança. Nos dois últimos anos, as exportações brasileiras de armamentos e equipamentos de guerra dispararam, com recorde de crescimento de 110%. A performance inédita ocorre na esteira das guerras em curso na Ucrânia e em Gaza e, de forma geral, do aumento das preocupações globais com o tema. O país se posiciona como uma potência emergente no setor – apesar de, na diplomacia, pregar o diálogo para a resolução de conflitos e a paz. A indústria começa a colher os frutos da Estratégia Nacional de Defesa, lançada em 2008, que levou à consolidação de produtos de alta tecnologia, à expansão de mercados e a ofertas competitivas, num contexto de aumento da demanda internacional. “O Brasil reduziu a dependência de poucos mercados. Países europeus integrantes da Otan ampliaram a sua presença como clientes, ao mesmo tempo em que avançamos no Oriente Médio e na Ásia, abrindo espaços antes dominados por grandes potências mundiais”, salienta Luiz Carlos Paiva Teixeira, presidente do Conselho de Administração da ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança). Uma gama variada de clientes, distribuídos pelos cinco continentes, hoje importa produtos brasileiros presentes em 140 países, segundo dados do Ministério da Defesa. Os maiores compradores são Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Portugal. Expansão em contexto de queda dos investimentos O volume de comercialização de produtos e serviços atingiu US$ 3,1 bilhões em 2025, em alta de 74% em relação ao ano anterior e mais do que o dobro de 2023. Por trás das vendas, estão cerca de 80 empresas brasileiras, estatais ou privadas, reunidas na Base Industrial de Defesa do país. A expansão ocorreu apesar da queda progressiva dos gastos do governo federal nas aquisições nacionais, depois da crise econômica de 2014, chegando a um patamar próximo de apenas 1% do PIB. Entretanto, o cancelamento de encomendas acabou compensado por um esforço diplomático para ampliar parcerias fora do país, salienta Marcos Barbieri, especialista em Economia da Defesa e professor da Unicamp. “Nós temos produtos novos e sofisticados sendo lançados, mas as próprias Forças Armadas Brasileiras que os encomendaram estão reduzindo ou postergando as encomendas. Como manter esses projetos e as empresas? Através das exportações”, afirma. “Já que o governo estava sem condições de comprar, ele incentivou, com uma preocupação muito grande principalmente do Ministério da Defesa, mas outros também, em dar um suporte para essas empresas exportarem, com apoio diplomático, participação de feiras internacionais, visitas técnicas.” A fabricante Embraer representa o principal cartão de visitas da pauta exportadora: teve a maior carteira de pedidos da sua história em 2025, com um total de US$ 4,6 bilhões na área de defesa, com destaque para as vendas do avião de transporte militar C-390 Millennium. Diversificação e projeção de crescimento Já faz tempo que o Brasil está entre os maiores exportadores de armas leves e munições, mas nos últimos anos, o país conseguiu se diversificar para uma vasta gama de equipamentos militares, com embarcações, blindados, soluções de proteção de dados, radares e sistemas de comunicação. O setor hoje emprega quase 3 milhões de trabalhadores e representa 3,49% do PIB brasileiro. “A Base Industrial de Defesa consolidou-se como um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira. Ele caminha para deixar de ser apenas um fornecedor de equipamentos para se tornar um pilar estratégico da alta tecnologia do Brasil”, ressalta frisa Luiz Carlos Paiva. “As metas estabelecidas buscam ampliar o domínio nacional sobre componentes críticos, como sensores, sistemas eletrônicos e softwares, reduzindo a dependência externa nas áreas mais sensíveis. E a estabilidade orçamentária cria um ambiente favorável ao planejamento industrial de longo prazo”, afirma. No mundo, o ano de 2024 teve o maior aumento de gastos militares desde o fim da Guerra Fria, conforme levantamento do Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (Sipri), referência em estudos sobre essa indústria. A instituição não menciona o Brasil como um dos atores mais relevantes nesta indústria, na comparação com as maiores potências: Estados Unidos, França, Rússia, China e Alemanha. No ranking publicado em março de 2025, o Brasil aparece na 24ª colocação dos maiores exportadores, e é o único país da América Latina na lista. A tendência é subir mais posições nos próximos anos, aposta Marcos Barbieri. “Muitos dos nossos produtos estratégicos estão começando a entrar no mercado agora: os submarinos que nós desenvolvemos junto com os franceses, da classe Scorpène, as fragatas da classe ...
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