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Di: RFI Brasil
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Entrevistas diárias com pessoas de todas as áreas. Artistas, cientistas, professores, economistas, analistas ou personalidades políticas que vivem na França ou estão de passagem por aqui, são convidadas para falar sobre seus projetos e realizações. A conversa é filmada e o vídeo pode ser visto no nosso site.France Médias Monde Scienze sociali
  • Atriz brasileira Grace Passô estreia primeiro longa como diretora no Festival de Cinema de Berlim
    Feb 20 2026

    A atriz e diretora mineira Grace Passô apresentou na 76ª edição do Festival de Cinema de Berlim o filme "Nosso Segredo", seu primeiro longa-metragem. Na produção, ela mergulha na história de uma família que tenta, à sua maneira, enfrentar a perda de um de seus membros. Entre o hiper-realismo e o surrealismo, o filme também representa a nova onda do cinema nacional, marcada pela busca por maior representatividade nas telas.

    Silvano Mendes, enviado especial a Berlim

    Esta não é a primeira participação de Grace Passô na Berlinale. Em 2020, ela apresentou, ao lado de Ricardo Alves Jr., "Vaga Carne", um média-metragem exibido na seção Forum Expanded. Agora, porém, a atriz chega ao festival com seu primeiro longa – e não esconde a emoção.

    "Tem um super gosto especial, porque é o meu primeiro longa dirigindo. Eu sou atriz, então eu trabalho em muitos filmes. Mas essa possibilidade de criar e dirigir um filme, um longa, era um sonho", disse a diretora à RFI em Berlim, um dia após a estreia. "Eu achei muito bom estrear aqui justamente por isso, por já ter estado aqui. É um evento muito importante no circuito de festivais de cinema do mundo. Então me dá uma medida do que eu construí ao longo desses anos, desde que eu vim aqui com outro filme", avalia.

    Filmado em Belo Horizonte, "Nosso Segredo" acompanha uma família negra que tenta reconstruir sua rotina após uma perda recente. Enquanto cada integrante vive o luto a seu modo, o filho caçula guarda um segredo capaz de provocar transformações profundas na dinâmica familiar. O elenco reúne Robert Frank, Ju Colombo, Efraim Santos, Jéssica Gaspar, Flip, Marisa Revert e Juan Queiroz, além das participações especiais de Mateus Aleluia, Tássia Reis, Gláucia Vandeveld e Nanego Lira.

    “Acho que é um momento muito importante que a gente vive. Um momento em que nós, pessoas negras, temos uma dinâmica muito maior em termos de apropriação da nossa própria história”, comenta a atriz e diretora sobre a questão da visibilidade nas telas. Segundo ela, o atual momento do cinema brasileiro – no qual parcelas da população antes excluídas ou marginalizadas passam a se ver representadas – está diretamente ligado a políticas culturais que estimulam novos tipos de produção. “Isso tem a ver com a ideia de lidar com a arte como meio simbólico importante numa sociedade”, resume.

    "Nosso Segredo" integra a lista das nove produções brasileiras presentes nesta edição da Berlinale, entre elas outro filme mineiro, "Se eu fosse vivo… vivia", de André Novais Oliveira. O país também participa indiretamente com dois filmes dirigidos por brasileiros na competição principal: "Rosebush Pruning", coprodução de Itália, Alemanha, Espanha e Reino Unido, rodada em inglês e dirigida por Karim Aïnouz; e o norte-americano "Josephine", de Beth de Araújo, cineasta filha de pai brasileiro e mãe sino-americana. Outro título com participação brasileira na seleção é "Narciso", do diretor paraguaio Marcelo Martinessi, coprodução que reúne sete países, entre eles o Brasil.

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  • Lázaro Ramos na Berlinale: Brasil deixa de agradar ao ‘algoritmo do gosto médio’ e reafirma identidade no cinema
    Feb 18 2026

    O ator Lázaro Ramos está em Berlim para a estreia mundial do filme "Feito Pipa", de Allan Deberton. Em entrevista à RFI, ele fala sobre a boa fase do cinema brasileiro, que tem conseguido apresentar histórias universais mantendo sua própria identidade.

    Silvano Mendes, enviado especial da RFI a Berlim

    Os brasileiros estão em alta no 76º Festival de Cinema de Berlim. Entre as produções nacionais e as coproduções, a presença no mercado e diretores brasileiros assinando filmes internacionais, mais de 12 projetos fazem parte da programação da Berlinale.

    "É um bom momento para o cinema brasileiro", celebra Lázaro Ramos, ressaltando a vontade de boa parte dos diretores de valorizar uma estética e uma identidade brasileiras.

    "Alguns anos atrás a gente se perdeu um pouco achando que ia fazer cinema para o algoritmo do gosto médio e esqueceu de ser quem nós somos", afirma o ator. Mas os tempos mudaram, insiste, citando sucessos como "Ainda Estou Aqui" ou "O Agente Secreto", além de todos os projetos presentes na 76ª Berlinale.

    "Todos os filmes com uma identidade muito forte e que você identifica o Brasil ali. Você consegue absorver a história e perceber que ela também pode ser universal, mesmo sendo com o pé fincado no nosso território", avalia.

    É o caso de "Feito Pipa", filme que Lázaro representa em Berlim e que conta a história de Gugu, um menino que vive no interior do Ceará apenas com a avó, que lhe dá plena liberdade para se descobrir. O bullying que o personagem enfrenta na escola ou jogando futebol – onde é uma das estrelas do time, apesar das gozações – fica do lado de fora quando ele volta para casa e encontra a empatia e o carinho dessa avó, interpretada com maestria por Teca Pereira.

    Na trama, Lázaro vive um pai distante, que não aceita o lado extrovertido do filho. Segundo ele, trata-se de "um homem que está querendo uma vida morna, enquanto seu filho diz: ‘eu vou ser quem eu sou e minha vida é colorida’".

    Essa vida “colorida” é encarnada com primor por Yuri Gomes, ator formado pelo projeto Axé, do Pelourinho, escolhido após uma seleção com mais de 600 crianças. "A gente teve a alegria de encontrar Yuri, que é muito espirituoso e bastante autêntico. E ele tinha todas as ferramentas que poderiam servir para o personagem do Gugu", conta à RFI o diretor Allan Deberton.

    Lázaro Ramos também não poupa elogios ao menino, de apenas 11 anos, e confessa que foi difícil manter o tom sisudo do personagem diante do carisma do garoto. "A minha vontade era, na verdade, abraçá-lo, acolhê-lo", resume o ator.

    Lázaro Ramos prepara novo projeto como diretor

    Além de "Feito Pipa", Lázaro Ramos lança mais dois filmes em 2026 – "Velhos Bandidos" e "Antártida" –, num ano dedicado à carreira de ator. Mas não descarta se aventurar novamente atrás das câmeras, após o sucesso dos longas "Medida Provisória" (2022) e "Um Ano Inesquecível: Outono" (2023).

    "O ator está aqui em primeiro plano, mas estou trabalhando nos próximos longas que eu vou dirigir. Ainda não sei se posso falar, mas, enfim, vai ter um outro filme aí", revela.

    Além dos projetos, Lázaro será, junto com a mulher Taís Araújo, o homenageado da 28ª edição do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, tradicional evento na capital francesa, que acontece entre 7 e 14 de abril. Essa é a primeira vez que um casal é celebrado no evento, que destaca a contribuição dos dois para o teatro, o cinema e a televisão.

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  • Em Paris, imortal da ABL Godofredo de Oliveira Neto debate legado da literatura afro‑brasileira
    Feb 17 2026

    O escritor e academico Godofredo de Oliveira Neto, imortal da Academia Brasileira de Letras desde 2022, é o convidado de uma palestra sobre a literatura afro-brasileira, nesta terça-feira (17), na Universidade Sorbonne Nouvelle, em Paris. Com mais de 20 livros publicados e três livros traduzidos para o francês, ele também é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Por Patrícia Moribe, em Paris

    Sob o tema "Literatura Brasileira Afrodescendente, Literatura Negra", o autor analisa as nuances políticas e estéticas que definem a produção literária negra no país. Ele resgata textos clássicos que expõem de forma crua os horrores da escravidão, muitos dos quais foram historicamente "esquecidos" ou suavizados pela sociedade brasileira.

    Oliveira cita passagens de Machado de Assis que ilustram a brutalidade cotidiana do período colonial e imperial. Como no conto "O caso da vara", de 1891, no qual o personagem principal presencia o castigo de uma criança de apenas 11 anos. Outro exemplo marcante trazido pelo acadêmico é o conto "Pai contra Mãe", no qual uma mulher escravizada em fuga é recapturada e, no processo, "aborta de medo e de dor numa cena absolutamente horrível". Ele também recorda a infância de Brás Cubas, que torturava o menino Prudêncio, um escravizado da casa.

    O trecho mais impactante citado por Godofredo de Oliveira Neto, porém, pertence a Cruz e Sousa, no texto intitulado "Consciência Tranquila". O autor descreve a obra como o texto mais violento contra a escravidão em toda a história da literatura brasileira, onde um senhor de escravizados, à beira da morte, faz um balanço de suas atrocidades sem qualquer remorso. "Ah, Mas eu fiz bem de arrancar os olhos daqueles negros, os dois olhos com uma faca enferrujada", cita o acadêmico. "Depois, ah, aquela negra que estava grávida de mim, fiz bem de enforcar. O outro, também decepei o corpo e joguei pros porcos", acrescenta.

    Lugar de fala

    O especialista nota que a literatura negra no Brasil foi mudando de tom, ganhando novas vozes, a partir de Lima Barreto e Maria Carolina de Jesus. Ao observar a produção contemporânea de autores como Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, Eliane Alves Cruz e Jeferson Tenório, Godofredo observa uma transição para um empoderamento positivo e poético.

    É nesse cenário que, para ele, o conceito de "lugar de fala" ganha relevo como uma "legitimação do combate". O autor explica que essa autonomia de voz significa que o sujeito negro não precisa mais de intermediários – “um intelectual branco” - para defender suas causas. Embora considere essa ferramenta legítima para a luta atual por espaço, o acadêmico manifesta o desejo de que, no futuro, em uma sociedade mais justa e não preconceituosa, tais distinções deixem de ser necessárias.

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