JOVEM, GUARDE PURO SEU CAMINHO
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Mensagem 296 – A PALAVRA: O QUE DEVERÍAMOS FAZER
Leia Salmos 119.9-16.
⁹Como o jovem guardará puro o seu caminho? Vivendo de acordo com a tua palavra. ¹⁰Tenho-te buscado de todo o coração; não permitas que me desvie dos teus mandamentos. ¹¹Guardei a tua palavra no meu coração para não pecar contra ti. ¹²Ó Senhor, tu és bendito, ensina-me os teus decretos. ¹³Com os meus lábios declaro todas as ordenanças da tua boca. ¹⁴Alegro-me tanto no caminho dos teus testemunhos quanto em todas as riquezas. ¹⁵Medito em teus preceitos e observo teus caminhos. ¹⁶Terei prazer nos teus decretos; não me esquecerei da tua palavra.
Nota da equipe: Quem é este jovem de que fala o salmista? O termo original (na‘ar) designa alguém que está no começo da vida, ainda definindo o próprio rumo. É um momento de semeadura, de tomar decisões importantes e aprender disciplina, quando há muitos destinos possíveis. O jovem pode guardar "puro" o seu caminho, isto é, um caminho que não tem o pecado por destino, ao ordenar os passos segundo a Palavra de Deus. Pelas preces que cercam o v. 9, esse jovem parece ser o próprio salmista, que ora mais do que prega.
Em português, "coração" costuma lembrar sentimento, mas, no Antigo Testamento, representa o centro da pessoa, de onde ela pensa, decide, deseja e adora, tanto que no hebraico bíblico não há sequer uma palavra própria para "mente". Buscar a Deus "de todo o coração" (v. 10) é buscá-Lo com a pessoa inteira, sem divisão. O salmista ainda não tem um coração perfeito, por isso quer um coração com um só rumo, e é nesse centro que ele esconde a Palavra e a guarda com atenção (v. 11). Jesus mostrou para onde esse gesto conduz: "Porque onde estiver teu tesouro, aí estará também teu coração" (Mt 6.21).
No original, "buscar" é darash, verbo que vimos no Salmo 111 e que significa buscar com empenho, investigar, perguntar de novo, o que implica dar valor ao que se procura. Mesmo assim, o pedido que se segue imediatamente a essa entrega é: "não permitas que me desvie dos teus mandamentos" (v. 10). "Desviar" descreve o passo de quem cambaleia, a deriva de alguém que foi levado por algo no caminho, mais do que uma rebeldia declarada. A deriva, porém, tem destino, e no v. 21 o mesmo verbo fala dos soberbos que se desviam dos mandamentos. O salmista parte do princípio de que o coração do jovem será inevitavelmente cativado por algo; então, ocupa-se em apontar quem deve conduzir seus passos: a Palavra. E, por saber que não a aprenderá sozinho, pede ao Senhor que lhe ensine os Seus decretos (v. 12).
Guardar a Palavra no coração implica amá-la e ter nela prazer. Quem guarda algo como tesouro acaba por se alegrar nele, e é a esse ponto que a estrofe chega: "Alegro-me tanto no caminho dos teus testemunhos quanto em todas as riquezas" (v. 14). Aqui está a resposta mais completa à pergunta do v. 9. O caminho do jovem se mantém puro menos por uma "cerca de proibições" e mais por uma alegria maior em Deus; ele não se desvia porque aquilo que o guia para Deus é mais desejável ao seu coração do que as forças que o atraem para longe d'Ele (cf. v. 72). Essa alegria também ocupa o pensamento, e por isso ele medita nos preceitos do Senhor e observa os Seus caminhos (v. 15). O salmista termina a estrofe nesse tom: "Terei prazer nos teus decretos; não me esquecerei da tua palavra" (v. 16). O que foi escondido no coração também sobe aos lábios: "Ó Senhor, tu és bendito" (v. 12); "Com os meus lábios declaro todas as ordenanças da tua boca" (v. 13). A adoração que guarda a Palavra no interior e o louvor que a anuncia publicamente caminham juntos.