Episodi

  • #365 Precisamos falar sobre os curdos
    Mar 11 2026

    A guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã abriu uma nova fase de instabilidade no Oriente Médio. Desde o final de fevereiro, ataques militares, ameaças de escalada regional e disputas estratégicas entre potências voltaram a colocar a região no centro da política internacional. Mas como acontece com frequência no Oriente Médio, guerras entre Estados também acabam reativando conflitos históricos que atravessam fronteiras nacionais. Um desses conflitos é a chamada questão curda. Espalhados por países como Turquia, Iraque, Síria e Irã, os curdos formam um dos maiores povos do mundo sem um Estado próprio.A questão curda atravessa toda a história política do Oriente Médio moderno. Ao longo do último século, os curdos estiveram envolvidos em diferentes conflitos regionais e também em alianças estratégicas com potências externas. Agora, com a guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, volta a surgir a pergunta: até que ponto os movimentos curdos podem influenciar os rumos desse conflito? E quais seriam as consequências regionais de uma mobilização curda nesse momento? Para conversar sobre tudo isso com a gente, recebemos hoje Monique Sochaczewski, doutora em História, Política e Bens Culturais, professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e Cofundadora e Pesquisadora Sênior do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Oriente Médio (GEPOM).

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  • #364 Israel e Irã em guerra
    Mar 4 2026

    No dia 28 de janeiro, Israel e os Estados Unidos realizaram ataques coordenados contra alvos estratégicos no território do Irã. Segundo o governo de Israel, o objetivo era atingir estruturas militares e capacidades consideradas ameaças diretas à segurança israelense. A resposta iraniana veio pouco tempo depois, com o lançamento de mísseis e drones que atingiram não apenas alvos militares, mas também áreas civis em Israel. O confronto, que já vinha se desenhando há anos, entrou novamente em uma fase aberta e direta. Não estamos falando de uma ação pontual. Estamos falando de dois Estados que já haviam cruzado linhas vermelhas no passado recente e que agora voltam a testar os limites da dissuasão.Essa nova escalada reacende uma pergunta central: até onde esse confronto pode ir?

    O Irã sustenta uma rede de aliados armados na região, como o Hezbollah, enquanto Israel afirma que não aceitará a consolidação de ameaças estratégicas em suas fronteiras. Para entender o que está acontecendo agora, quais são os riscos de ampliação desse conflito e como a sociedade israelense está vivendo esse momento, recebemos hoje a jornalista e correspondente do IBI em Israel, Daniela Kresch.

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    40 min
  • #363 O governo Lula e a comunidade judaica
    Feb 25 2026

    No dia 28 de janeiro, o governo Lula realizou uma reunião com diversos representantes da comunidade judaica para discutir o combate ao antissemitismo no Brasil. Por parte da sociedade civil, estiveram presentes instituições, figuras e nomes relevantes, entre eles, o Instituto Brasil-Israel. Por parte do governo, estiveram o vice-presidente, Geraldo Alckmin - que estava no exercício da presidência na ocasião, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, da Gestão, Esther Duek, e a ministra substituta das Relações Exteriores, Maria Laura. Por que essa reunião aconteceu? Qual era o objetivo? O que pode mudar depois desse diálogo?Além da reunião, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, esteve em São Paulo e visitou instituições judaicas como o Memorial do Holocausto e a Casa do Povo. Para saber mais sobre essa ponte de diálogo, a gente conversa com uma parte fundamental deste processo: Clara Ant, chefe da Assessoria Especial de Apoio ao Processo Decisório da Presidência da República.

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    43 min
  • #362 O caso Epstein e o antissemitismo
    Feb 18 2026

    O caso Jeffrey Epstein voltou ao centro do debate público depois da divulgação de novos documentos ligados à sua rede de contatos. O que deveria ser uma discussão sobre abuso de poder, impunidade e responsabilidade institucional rapidamente se transformou em algo maior. No Brasil, o sociólogo Jessé Souza publicou um vídeo associando o caso a um suposto “lobby judaico” e ao sionismo, ampliando o escândalo para uma narrativa de controle global. A repercussão foi imediata, e revelou algo que vai além de um episódio isolado: o retorno de velhas teorias conspiratórias com nova linguagem. O que está em jogo quando um crime real vira combustível para o antissemitismo?

    O caso Epstein envolve vítimas reais, redes de poder reais e falhas institucionais que precisam ser investigadas com seriedade. Mas o que estamos vendo agora é um deslocamento preocupante: o escândalo passa a ser usado como prova de uma suposta conspiração judaica global, às vezes explicitamente, às vezes sob o rótulo de “sionismo” ou “elite financeira internacional”. Esse tipo de narrativa não nasce em um campo político específico. Ele aparece tanto em setores da extrema-direita, que reciclam mitos clássicos sobre controle judaico do mundo, quanto em setores da esquerda, que revestem a mesma estrutura conspiratória com linguagem anti-imperialista ou antissionista. Em comum, está a lógica de transformar indivíduos em símbolos e símbolos em explicações totalizantes. Para entender como esse mecanismo funciona, e por que ele reaparece com tanta força em momentos de crise institucional, convidamos Daniel Feldmann, professor da Universidade Federal de São Paulo.

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    50 min
  • #361 Educação judaica: caminhos e desafios
    Feb 11 2026

    Entre tantas decisões que atravessam a parentalidade, uma pergunta aparece com frequência nas famílias judias: como garantir que as crianças tenham contato com os valores judaicos e, ao mesmo tempo, com a diversidade? Uma escola judaica é a solução? Há outros espaços, além das instituições formais de ensino, que promovam a educação judaica?

    A decisão não se trata apenas de escolher uma instituição de ensino, mas de refletir sobre pertencimento, identidade, memória e futuro, ao mesmo tempo em que se busca garantir que seus filhos e filhas cresçam em diálogo com a diversidade. Para essa conversa, convidamos a Dália Schneider, formada em Direito pela PUC SP e pós graduada em Pedagogia Waldorf, pela Faculdade Rudolf Steiner. Trabalha com educação judaica há quase 2 décadas e atualmente é uma das Coordenadoras do departamento de Ensino da Comunidade Shalom - Sinagoga Masorti de São Paulo. Também é consultora do Museu Judaico de São Paulo, onde contribui para a promoção e preservação da identidade judaica por meio da formação de educadores, desenvolvimento de atividades e produção de conteúdo.

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    59 min
  • #360 Eleições em Israel: e agora?
    Feb 4 2026

    Israel volta a se aproximar de mais um ciclo eleitoral em um contexto que já não é exceção, mas quase regra: polarização extrema, dificuldade de formação de maiorias e a sensação de que o sistema político está preso a um impasse permanente. Mesmo depois de anos de eleições sucessivas, o país parece girar em torno dos mesmos nomes, dos mesmos blocos e das mesmas disputas fundamentais. O que essas eleições dizem sobre o momento político israelense? E por que sair do lugar parece tão difícil?


    Segundo análises recentes, Israel entra nesse novo ciclo eleitoral em uma espécie de “nova era”, marcada por guerra, trauma coletivo e tensão institucional, mas sem grandes novidades no elenco político. Ao mesmo tempo, os campos rivais se mostram cada vez mais rígidos, o que torna o cenário pós-eleitoral tão incerto quanto o pré-eleitoral. Para entender o que está em jogo, os limites desse sistema e os possíveis desdobramentos, convidamos Marcos Gorinstein, brasileiro que mora em Israel e apresenta o podcast “Do lado esquerdo do muro”, ao lado do João Miragaya.

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    50 min
  • #359 Ir a Auschwitz ainda faz sentido?
    Jan 28 2026

    A Marcha da Vida ainda faz sentido? Para muita gente, a Marcha da Vida, programa que leva jovens judeus a um percurso de duas semanas entre Polônia, Berlim e Israel, foi uma experiência transformadora, quase um rito de passagem. Mas hoje, em um mundo atravessado por guerras, polarizações, disputas de narrativa e um crescimento preocupante do antissemitismo, essa experiência é interrogada de novas formas.

    O que significa caminhar por campos de extermínio num momento em que a memória da Shoá é relativizada ou instrumentalizada? Como falar de Israel com jovens que vivem tensões políticas, éticas e afetivas em relação ao Estado? E de que forma o programa pode continuar sendo um espaço de educação, memória e reflexão crítica para as juventudes judaicas diversas de hoje? Para conversar sobre o tema, convidamos mais uma vez o Yoel Schvartz, sociólogo e historiador, professor de história judaica e palestrante no Yad Vashem, o museu do Holocausto em Jerusalém. Nasceu na Argentina, mora em Israel faz trinta anos, foi diretor do instituto para a formação de liderança em Jerusalém e morou no Brasil no começo dos anos dois mil - por isso, fala português.

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    42 min
  • #358 O que está acontecendo no Irã?
    Jan 21 2026

    No final de 2025, o Irã voltou ao centro do noticiário internacional, mas não por uma guerra externa ou por negociações nucleares. O que vemos agora são protestos internos de grande escala, espalhados por diversas cidades, impulsionados por uma combinação explosiva de crise econômica, repressão política e desgaste profundo do regime. Com relatos de milhares de mortos, prisões em massa e apagões de internet, as manifestações levantam uma pergunta central: estamos diante de mais um ciclo de repressão brutal ou de uma fissura estrutural no sistema político iraniano?

    O Irã de hoje expõe um dilema conhecido em outros contextos autoritários: um Estado que se sustenta pela repressão, mas que enfrenta uma sociedade cada vez mais fragmentada, cansada e sem ilusões. Ao mesmo tempo, a oposição, dentro e fora do país, aparece dividida, disputando legitimidade, narrativas e até símbolos do passado. Enquanto o regime acusa interferência estrangeira e tenta controlar a informação, manifestantes arriscam a vida em um ambiente de violência extrema e isolamento digital. Para discutir o que está por trás dessas manifestações, os limites da oposição iraniana, o papel da comunidade internacional e os cenários possíveis para o futuro do país, a gente conversa hoje com Monique Sochaczewski, doutora em História, Política e Bens Culturais, professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e Cofundadora e Pesquisadora Sênior do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Oriente Médio (GEPOM)

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    45 min