ABRAM AS PORTAS
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Mensagem 294 – ABRAM AS PORTAS
Leia Salmos 118.19-29.
¹⁹Abri as portas da justiça para mim, para que eu entre por elas e renda graças ao Senhor. ²⁰Esta é a porta do Senhor; os justos entrarão por ela. ²¹Eu te dou graças, pois me respondeste e foste minha salvação. ²²A pedra que os construtores rejeitaram, essa se tornou a pedra angular. ²³Foi o Senhor quem fez isso, e é maravilhoso aos nossos olhos. ²⁴Este é o dia que o Senhor fez; vamos regozijar-nos e alegrar-nos nele. ²⁵Salva-nos, Senhor, nós te pedimos; ó Senhor, nós te pedimos, envia-nos prosperidade. ²⁶Bendito seja o que vem em nome do Senhor! Nós vos abençoamos da casa do Senhor. ²⁷O Senhor é Deus e faz resplandecer sua luz sobre nós; preparai a festa com ramos até as pontas do altar. ²⁸Tu és o meu Deus, e eu te renderei graças; tu és o meu Deus, e eu te exaltarei. ²⁹Rendei graças ao Senhor, pois ele é bom; seu amor dura para sempre.
Nota da equipe: O Salmo 118 chega aqui ao seu destino final, diante das portas do templo, e assume a forma de um diálogo litúrgico. Do lado de fora, o adorador pede: “Abri as portas da justiça para mim” (v. 19). Do lado de dentro, ouve-se a condição de acesso: “Esta é a porta do Senhor; os justos entrarão por ela” (v. 20). O salmista entra, mas atribui o seu ingresso unicamente ao favor divino: “Eu te dou graças, pois me respondeste e foste minha salvação” (v. 21). Nisso já se anuncia a graça que o Novo Testamento revela em plenitude.
Paulo, reunindo vários salmos, deu o veredito sobre essa condição: “Não há justo, nem um sequer” (Rm 3.10). Se a porta só admite justos e não existe nenhum, ela permanece fechada para todos. O apóstolo, porém, prossegue: “Mas agora a justiça de Deus se manifestou, sem a lei, [...] por meio da fé em Jesus Cristo para todos os que creem” (Rm 3.21-22). A justiça que a porta exige passa a ser dada a quem está do lado de fora, não a todos, mas aos que creem; e é por intermédio de Cristo que “obtivemos também acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes” (Rm 5.2). A palavra grega traduzida por “acesso”, prosagōgē, vem de um verbo que significa conduzir alguém até a presença de outro. Quem entra pela fé é levado pela mão até a presença de Deus, como o Senhor, no Seu amor, conduziu Israel à Sua santa habitação (Êx 15.13).
Nesse ponto, o salmo introduz a imagem da pedra (v. 22), e Paulo une as duas ideias: os israelitas buscaram a justiça pelas obras e “tropeçaram na pedra de tropeço” (Rm 9.32), ao passo que os gentios, que não a buscavam, a alcançaram pela fé (Rm 9.30). Ninguém chega à porta sem passar por essa pedra; ou tropeça nela tentando entrar com os próprios méritos, ou se apoia nela e entra. Antes dos apóstolos, Jesus leu assim o salmo. Saudado à entrada de Jerusalém com o clamor dos vv. 25-26, “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt 21.9), dias depois aplicou a Si mesmo os vv. 22-23 (Mt 21.42). Pedro, que já havia dito ao Sinédrio que eles, os construtores, rejeitaram a pedra e que foi Deus quem a ergueu, ao ressuscitar Jesus dentre os mortos (At 4.10-11), retoma o v. 22 em sua carta. Cristo é “a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas eleita e preciosa para Deus” (1Pe 2.4), e quem se chega a ela deixa de ser apenas alguém que atravessa a porta e passa a fazer parte do próprio edifício: “vós também, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo” (1Pe 2.5). Mais adiante, na mesma carta, Pedro resume com o verbo de que deriva prosagōgē: “Porque também Cristo morreu uma única vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus” (1Pe 3.18). O único que podia atravessar a porta da justiça por direito próprio foi tratado como injusto, para que os injustos fossem conduzidos por ela como justos.