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A PALAVRA: O QUE ELA É

A PALAVRA: O QUE ELA É

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Mensagem 295 – A PALAVRA: O QUE ELA É

Leia Salmos 119.1-8.
¹Bem-aventurados os que se conduzem com integridade, os que andam na lei do Senhor! ²Bem-aventurados os que guardam seus testemunhos, que o buscam de todo o coração, ³que não praticam o mal, mas seguem seus caminhos! ⁴Ordenaste teus preceitos, para que fossem obedecidos com cuidado. ⁵Que meus caminhos sejam estabelecidos, para que eu guarde teus estatutos! ⁶Então não ficarei envergonhado, quando obedecer a todos os teus mandamentos. ⁷Eu te louvarei com coração íntegro, quando houver aprendido tuas justas normas. ⁸Observarei teus decretos; não me desampares por completo!

Nota da equipe: Entramos no mais longo dos salmos, que é também o capítulo mais longo da Bíblia, construído com esmero desde a primeira linha. Como os Salmos 111 e 112, o 119 é um acróstico, mas em outra escala: são vinte e duas estrofes, uma para cada letra do alfabeto hebraico, e cada estrofe tem oito versículos que começam todos com a mesma letra. Nesta primeira, a letra é álefe, e a palavra que abre o salmo é ’ashrê, “bem-aventurados”, a mesma que abre o Salmo 1. O poeta sustenta um único tema ao longo de 176 versículos e, para isso, emprega sobretudo oito palavras, que as nossas versões traduzem por lei, testemunhos, preceitos, estatutos, mandamentos, normas, palavra e promessa. Cada uma ilumina uma face da mesma realidade: Deus falou, e o que Ele diz é lei que abençoa.

Seria fácil ler o Salmo 119 como um monumento a um livro — a Escritura —, mas o v. 2 não o permite: “Bem-aventurados os que guardam seus testemunhos, que o buscam de todo o coração”. Nos vv. 1-3, o poeta fala da lei como quem descreve uma paisagem, em terceira pessoa. No v. 4, de repente, ele se volta e fala diretamente com Deus: “Ordenaste teus preceitos”. A partir daí, quase todo o restante do salmo é dirigido a Deus. A Palavra conduziu o salmista até a presença d’Aquele que a pronunciou, e é isso que ela é: a voz do próprio Deus, dada para que O conheçamos e falemos com Ele.

Essa passagem da terceira pessoa à prece também expõe uma distância. Quem acabou de descrever os bem-aventurados olha para a própria vida e suspira: “Que meus caminhos sejam estabelecidos” (v. 5). Sabe como é o caminho íntegro e sabe que ainda não anda nele por inteiro. Por isso fala em vergonha, que só se afasta pela obediência a “todos os teus mandamentos” (v. 6), e em aprender (v. 7). O coração que a Palavra endireita pouco a pouco e o louvor que sai dos lábios caminham juntos: “Eu te louvarei com coração íntegro” (v. 7).

A estrofe termina com um voto (“Observarei teus decretos”) e, logo depois, com um pedido singular: “não me desampares por completo” (v. 8). A NAA traduz “não me desampares jamais”; o hebraico (‘ad-me’od) diz, à letra, algo como “até o extremo”, nuance conservada na A21. As duas leituras são fiéis; a segunda, porém, guarda uma riqueza que a primeira não deixa ver. O salmista não espera ser poupado de toda correção, mas pede que Deus não o abandone completamente. O verbo é ‘azav, “abandonar”, o mesmo do Salmo 22.1, o grito que Jesus fez Seu na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). O único homem que andou com integridade completa na lei do Senhor, o verdadeiro bem-aventurado do Salmo 1 e do v. 1 deste salmo, foi desamparado até o extremo. Ele sofreu o abandono que o nosso caminho tortuoso merecia e nos resgatou “da maldição da lei” (Gl 3.13), para que a oração do v. 8 seja atendida em todos os que estão n’Ele.

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