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A PALAVRA QUE NOS VIVIFICA

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Mensagem 299 – A PALAVRA QUE NOS VIVIFICA

Leia Salmos 119.33-40.
³³Senhor, ensina-me o caminho dos teus decretos, e eu o seguirei até o fim. ³⁴Dá-me entendimento, para que eu guarde tua lei e a ela obedeça de todo o coração. ³⁵Faze com que eu ande pela vereda dos teus mandamentos, pois nela tenho prazer. ³⁶Inclina meu coração para teus testemunhos, e não para a cobiça. ³⁷Desvia meus olhos de contemplarem o que é inútil e vivifica-me no teu caminho. ³⁸Confirma ao teu servo a tua promessa feita ao que te teme. ³⁹Afasta de mim a humilhação que temo, pois tuas ordenanças são boas. ⁴⁰Anseio por teus preceitos; vivifica-me por tua justiça.

Nota da equipe: A quinta estrofe do acróstico começa com uma frase que, lida de passagem, soa um tanto pretensiosa, como um voto de disciplina: “Senhor, ensina-me o caminho dos teus decretos, e eu o seguirei até o fim” (v. 33). Contudo, basta prosseguir na leitura para perceber que o salmista não promete caminhar fielmente com as próprias forças, porque, do v. 34 ao v. 40, cada versículo traz um pedido endereçado a Deus — “dá-me entendimento”, “faze com que eu ande”, “inclina meu coração”, “desvia meus olhos”, “confirma”, “afasta” e, por duas vezes, “vivifica-me”. Oito imperativos, todos pedindo que Deus seja o agente do caminho que o salmista prometeu trilhar. A promessa do v. 33 é devolvida a Deus na forma de súplica, porque quem conhece o próprio coração sabe que, entregue a si mesmo, jamais chegará até o fim. Agostinho sintetizou essa consciência numa oração: “Dá o que ordenas, e ordena o que quiseres” (Confissões 10.29). Esta é também a lógica da perseverança. Os santos perseveram, mas perseveram porque Deus persevera na obra que começou neles e não a deixa inacabada (Fp 1.6; cf. Confissão de Westminster, cap. 17). É por isso que o v. 38 já não se apoia na promessa do salmista, mas na que Deus fez “ao que te teme”. Também o outro temor, o da humilhação diante dos que zombam da sua devoção, é entregue ao Senhor no v. 39. O “até o fim” que o salmista anuncia só se sustenta sobre o que ele pede nos versos seguintes.

Dentro dessa cadeia de pedidos, vale deter-se no v. 37: “Desvia meus olhos de contemplarem o que é inútil”. Em hebraico, o verbo “desvia” é um causativo, como os que abrem os versículos 33 a 39; literalmente, “faze os meus olhos passarem para o lado”. O salmista não pede força para resistir ao olhar, nem técnica para controlar a vista; pede que Deus mesmo governe a direção dos seus olhos. Ele sabe que, enquanto os seus olhos se demorarem diante do que os seduz, continuarão presos à cobiça, e que só Deus pode desviá-los dali. O que ele chama de “o que é inútil” é shav em hebraico — o oco, o vazio, a mesma palavra do terceiro mandamento, “em vão” (Êx 20.7) —, aquilo que promete alguma coisa e nada entrega. Deus nos guarda, muitas vezes, não aumentando a nossa coragem para enfrentar a tentação, mas tirando os nossos olhos do que já consumia o coração. Repasse a sua história e verá que diversas vezes Deus simplesmente desviou o seu caminho, impedindo-o de tropeçar. O salmo nos ensina a enxergar essas interrupções como graça e a orar por elas antes que o olhar se detenha no mal.

Cristo jamais se desviou do caminho do Pai: “Eu te glorifiquei na terra, completando a obra da qual me encarregaste” (Jo 17.4), e, na cruz, “Está consumado” (Jo 19.30). Nele, somos capacitados a permanecer fiéis porque Ele mesmo, pelo Espírito, continua, dentro de nós, a obra fundada no que consumou na cruz. A nossa perseverança é a perseverança d’Ele em nós, e por isso o v. 40, que começa pelo anseio de quem sabe que “o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mc 14.38), pode terminar com “vivifica-me por tua justiça” — não a nossa, mas a d’Ele, aplicada a nós.

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