A garota que eu nunca beijei
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A garota que eu nunca beijei
É engraçado. Eu nunca vi nada demais nela.
Não é linda. Não é tão divertida.
Não sou fã do humor dela, nem do jeito que ela enxerga a vida.
Mas há algo nela. Algo que gruda.
A primeira vez que tentei beijá-la, acertei o vento.
Foi ali que começou minha ficção:
a garota que eu nunca beijei.
De repente, ela era engraçada e irritante.
Fascinante e insuportável.
Cheia de pequenas crueldades.
E mesmo havendo outras pessoas ao redor, talvez até melhores,
eu só queria ela.
Fiz ela sorrir. Segurei sua mão.
Li os lábios dela como se tudo estivesse em câmera lenta.
Decorei cada centímetro do seu rosto.
E pensei: “Ela não é bonita… mas é impossível fugir dela.”
Ela é como a erva proibida ou como uma joia atrás do vidro protegido, que lhe súplica para você pegar.
Não é pelo que ela é.
É pelo que eu não posso ter.
E esse “não posso” me vicia.
Ela zomba da minha cara.
Às vezes passa dos limites.
Quase sempre arrogante, quase uma megera.
Mas há algo nela que me faz querer, e querer, e querer mais.
Eu queria que ela me colocasse uma coleira.
Que me puxasse pela rua numa corrente.
Que me chutasse e me chamasse de repugnante.
Porque cada gota de desprezo que ela me dá…
me faz sentir horrivelmente vivo.
Eu provoco ela. Quero o ódio dela.
Não porque não gosto dela.
Mas justamente, porque talvez, eu goste demais.
Ela é viciante como o amargo do whisky,
como o ácido da caipirinha que queima a garganta e pede outro gole.
Ela parece que vai me matar.
E quanto mais perto da morte eu fico, mais eu quero.
Ela não é inocente, nem um pouco.
Ela gosta desse jogo.
O jogo de fingir que não vê, que não sente, que não sabe.
O jogo de ir e sumir.
De voltar, e partir.
E cada vez que volta, é pior.
Porque agora eu sei que ela sabe, mesmo que minta dizendo que não.
Um dia, talvez, isso passe.
Como passou o vicio na bebida.
Como passou o vicio na nicotina.
Ou talvez não.
Talvez eu goste demais de ser viciado nela.
Dino-1998 CHAPADO DE MACONHA